Alta nos aeroportos exige atenção à infraestrutura
O setor aéreo brasileiro voltou a registrar crescimento expressivo neste ano. Dados consolidados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, com base no Relatório de Demanda e Oferta da Anac, mostram que mais de 51,5 milhões de passageiros passaram pelos aeroportos do país entre janeiro e maio, o maior volume da série histórica para esse período. O número representa um avanço de 10% em relação ao mesmo intervalo de 2024 e supera a marca anterior, registrada em 2015.
O resultado confirma a retomada consistente da aviação comercial, tanto no mercado interno quanto nas conexões internacionais. Os voos domésticos responderam por 39,9 milhões de passageiros, com alta de 8,3%. Já os voos internacionais movimentaram 11,6 milhões, uma expansão de 15,8% frente ao ano anterior. Em maio, tanto o tráfego nacional quanto o internacional alcançaram o melhor desempenho já registrado para o mês desde 2000.
Esse crescimento, embora positivo, impõe novas exigências a um sistema que ainda enfrenta gargalos importantes. A aviação no Brasil continua excessivamente concentrada em alguns poucos hubs, com destaque para Guarulhos, Congonhas e Brasília, os três aeroportos com maior movimentação no período. A infraestrutura terrestre que conecta esses terminais às cidades também tem dificuldade em acompanhar o ritmo de expansão da demanda, o que impacta diretamente a experiência dos usuários e a eficiência logística.
Outro ponto que precisa ser observado é o equilíbrio entre oferta e qualidade. A retomada da movimentação de passageiros deve vir acompanhada de investimentos proporcionais em segurança operacional, atendimento ao público, digitalização de processos e ampliação da malha aérea, especialmente para cidades médias e regiões menos atendidas. A interiorização da aviação, aliás, é uma demanda antiga que permanece como desafio, tanto para o setor público quanto para as companhias aéreas.
A sazonalidade típica do primeiro semestre, mais aquecido em razão das férias, do verão e do Carnaval, também impõe cautela. A performance registrada até maio indica um momento favorável, mas o segundo semestre tende historicamente a ser mais moderado. Por isso, é importante que os números sejam analisados em perspectiva, sem entusiasmo excessivo, mas também sem ignorar seu potencial indicativo de crescimento sustentável.
Seja para o turismo, seja para o ambiente de negócios, a aviação tem papel estratégico. Mas seu desenvolvimento precisa ser planejado. O recorde registrado neste ano deve servir não apenas como sinal de recuperação, mas também como ponto de partida para um debate mais profundo sobre a expansão e a modernização do transporte aéreo no Brasil.