As dragagens nos rios da Amazônia, uma necessidade constante
A intervenção do Ministério de Portos e Aeroportos, com o início do ciclo 2025/2026 de dragagens de manutenção nos trechos fluviais estratégicos da Amazônia, como Manaus-Itacoatiara, é uma resposta necessária e urgente à volatilidade hidrológica da região. As oscilações extremas nos níveis dos rios, que variaram drasticamente de uma seca crítica em 2024 para uma recuperação significativa em 2025, exigem uma política de infraestrutura que priorize a previsibilidade e a segurança da navegação.
O comportamento errático dos rios, com quedas bruscas de nível mesmo após um ano de recuperação, reforça o argumento do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, de que a situação exige atenção contínua. A antecipação das ações de desassoreamento e dragagem preventiva é fundamental para garantir o fluxo de embarcações de todos os portes e, consequentemente, o transporte de insumos vitais para o abastecimento das comunidades e das cadeias produtivas da região.
A realização das dragagens de manutenção nos rios da Amazônia não é uma medida discricionária, mas um imperativo logístico e social. As hidrovias são a espinha dorsal do transporte na região Norte, e qualquer interrupção na navegabilidade afeta diretamente a economia, o acesso a serviços essenciais e a soberania do País sobre seu território. A garantia de profundidade mínima nos canais, por meio da dragagem, permite que as embarcações circulem com segurança e eficiência, reduzindo o custo logístico e o risco de desabastecimento.
O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Dino Batista, salientou que o monitoramento constante e as dragagens fazem parte de um planejamento mais amplo, que visa a dar previsibilidade ao transporte e competitividade às cadeias produtivas. A dragagem, portanto, é um investimento em infraestrutura, e não apenas um custo operacional, que sustenta o dinamismo do agronegócio e da indústria instalada na Zona Franca de Manaus.
A necessidade de ações de dragagem contínuas nesses rios, como destacou o ministro de Portos e Aeroportos, é um reconhecimento da complexidade da bacia amazônica. A natureza dinâmica dos rios, agravada pelas mudanças climáticas, exige que a política de navegação interior seja perene e bem estruturada. A implementação, por parte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), do Plano Anual de Dragagem e Manutenção Aquaviária e do Plano de Sinalização Náutica, ambos com validade de cinco anos, é um passo crucial para organizar as frentes de trabalho e garantir o aporte de recursos.
É fundamental que o Governo Federal continue a estruturar esses instrumentos permanentes para que a política de navegação interior seja consolidada. A previsibilidade e a organização das dragagens são essenciais para que a Amazônia possa manter sua conexão com o restante do País e com o mercado internacional, garantindo o desenvolvimento sustentável da região.