terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Biocombustíveis e a sustentabilidade no setor de transportes

O painel sobre biocombustíveis no Fórum Brasil Export nessa quinta-feira, dia 30, em Brasília (DF), reforçou um consenso: o Brasil tem todas as condições para ser o protagonista global da nova fronteira da transição energética. Esse cenário foi destacado pelos participantes – tanto a representante do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), como a da companhia de energia Acelen – que, ainda, enfatizaram a importância de uma ação coordenada entre o setor público e a iniciativa privada para transformar o potencial em realidade.

A coordenadora geral de Sustentabilidade do MPor, Rafaela Gomes, detalhou a preparação do Governo para formular diretrizes que apoiem a transição, citando a elaboração do plano clima mitigação e do caderno da taxonomia sustentável brasileira. Este último documento, voltado a ser um guia para o financiamento verde, demonstra um esforço em direcionar o capital para a produção e compra de combustíveis mais sustentáveis para aviação e navegação.

A importância de o Governo definir suas políticas públicas relacionadas aos biocombustíveis de forma célere é o ponto de inflexão para o avanço desse mercado. A clareza regulatória e a previsibilidade são essenciais para que autoridades e a iniciativa privada possam desenvolver esse setor, que é estratégico para a economia e a política internacional brasileira. O caso da Acelen, que anunciou um projeto único de solução integrada, com foco na produção de SAF a partir da macaúba, comprova que o setor privado está pronto para investir em larga escala, desde que haja um marco regulatório seguro e mandatos robustos.

A gerente Maíra Krohling, da Acelen, reforçou que os investimentos privados serão impulsionados pela consolidação de marcos políticos regulatórios que demandam soluções de baixo carbono. A velocidade da regulamentação é o fator que ditará o ritmo da atração de capital e da construção de novas biorrefinarias.

O debate também revelou desafios. Alexandre Arnone, do Instituto Global ESG, alertou para a necessidade de políticas públicas que deem assistência efetiva aos pequenos agricultores, que enfrentam dificuldades no acesso a informações e recursos para o cultivo das oleaginosas utilizadas na produção dos biocombustíveis. A transição energética deve ser justa e inclusiva, garantindo que os benefícios do crescimento cheguem à base da cadeia produtiva. É crucial que o guia de finanças do Governo inclua mecanismos que simplifiquem o acesso a crédito e assistência técnica para o pequeno produtor.

O Brasil tem uma matriz energética que já é majoritariamente renovável, mas o desafio agora é estender essa sustentabilidade para o setor de transportes, um dos maiores emissores de gases do efeito estufa (GEE). A definição célere das políticas de biocombustíveis garantirá que o País cumpra suas metas climáticas e se posicione como um fornecedor global de soluções energéticas sustentáveis.

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