Blá, blá, blá, … Cuidado com a falta de coerência
Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única.
Albert Schweitzer, teólogo, filósofo, médico e músico alemão. Ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952.
Nesta semana ouvia um programa matinal de rádio, desses de grande circulação nacional, esperando por um quadro de entrevistas que fala, como nós por aqui, do mundo do trabalho, do mundo corporativo.
Há muito acontecendo, rápido e em grande quantidade. Acompanhar os diferentes setores da economia, é fundamental para permanecer atualizado. Como dizem por aí, “quem ouve mais, erra menos”. Além de ser uma fonte de inspiração, para as reflexões que fazemos juntos, aqui neste espaço.
Começa o programa, o convidado é anunciado. CEO de uma das maiores empresas do país. Bem articulado, talhado para comunicar-se bem, após diversos “media trainings”. Fala com propriedade da escassez de mão de obra qualificada, e da sua consequência imediata que é a necessidade de formar pessoal internamente à empresa.
Passa então a falar sobre a dificuldade para criar engajamento na Geração “Z”. Nesse ponto redobro a atenção, visto que o entrevistado era, ele próprio, quase um “GenZ”, como pude constatar, “dando um Google” em seu nome.
Continua falando, também com muita propriedade, sobre questões sociais, em especial, sobre como o baixo poder aquisitivo da população afeta negativamente os negócios. Arrisca uma fala, breve, sem tanto brilho, sobre sustentabilidade. Um diagnóstico completo dos principais problemas do nosso Brasil e dos efeitos que causam nas organizações. Arrisca-se a tentar explicar algumas das causas, já não com tanta propriedade quanto na radiografia dos efeitos.
Explicar bem o que fazem de concreto pelo contexto ESG- de Environmental, Social e Governance, ou, em bom português, Meio Ambiente, Social e Governança (essa, significando tudo aquilo que a empresa faz para garantir que sejam cumpridos preceitos éticos, a legislação e as boas práticas de gestão), teria sido oportuno.
Pessoalmente tenho a convicção que não é possível fazer negócios de forma sustentável, sem praticar com igual empenho, as três áreas de ação ESG. O mercado identifica essa ausência e penaliza a empresa mudando seus hábitos de consumo (leia-se: o consumidor troca os produtos ou serviços pelos da concorrência).
O programa, de curta duração, avança enquanto eu, ansioso, aguardo a hora em que esse executivo, C-Level, passaria então a discorrer sobre as ações concretas que sua empresa criou para gerar soluções. Silêncio.
Uma pena não tê-las citado. Pesquisando mais tarde, na internet e nas redes sociais, descobri que eles possuem algumas iniciativas interessantes.
Esperei então pelo momento em que ele contaria sobre o trabalho voluntário que faz, pessoalmente, em prol da solução desses problemas, que ele diagnosticou tão bem, afinal, o “exemplo arrasta”. Nem uma palavra.
Dois pontos destaco dessa experiência. Primeiro o quanto o “G” de Governança ainda recebe menos atenção que o “E” e o “S”. Esses dois marcam e expõem muito e rápido a organização perante o mercado em que atua e seus clientes, portanto, pela publicidade que permite, pode causar danos rapidamente, cujo reparo pode custar caro sob o ponto de vista financeiro e de imagem. A Governança, não. Essa ocorre intramuros, sem grande exposição ou alarde sobre os projetos em execução pela empresa. Geralmente é percebida quando ocorre o contrário, a falta de governança, especialmente quando essa falta está ligada a aspectos éticos.
Em seguida, o cuidado que todos devemos ter, mas especialmente os líderes em suas posições, não em parecer ser algo que não somos, mas em ser – de verdade – um ser humano com o mesmo tamanho e peso de nossa responsabilidade executiva. Óbvio que as organizações possuem papel fundamental nesse cenário.
Elas devem possuir em seu DNA valores relevantes primeiro para a humanidade, depois para seus negócios. E praticá-los, sem exceções, ainda mais quando for difícil ou inconveniente fazê-lo. Essa é a hora da verdade das ações de compliance ou conformidade, como poderíamos escrever em bom português.
Deve também formar suas lideranças com base nesses valores, principalmente quando escolhe seu principal executivo, o rosto que vai representá-la perante o mercado.
Comecei com o Dr. Schweitzer e termino com outra de suas frases: “O mundo tornou-se perigoso, porque os homens aprenderam a dominar a natureza antes de dominarem a si mesmos.”
Domine e melhore a sua natureza todos os dias.
Hudson Carvalho é Consultor em Estratégia de Gestão de Pessoas, Diretor Regional da WISDOM – Gestão Organizacional (Desenvolvemos Pessoas e Processos) para o ABCD e Baixada Santista e Diretor Executivo da ELABORE-ONLINE – Pessoas e Resultados.
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