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Adilson Luiz Gonçalves

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Caravanas da Inovação Portuária

A importância da participação do Senai reforçou ser imprescindível incluir o tema porto-indústria, sobretudo quando os palestrantes diferenciaram claramente modernização de inovação: modernização reflete o passado no presente, enquanto que a inovação projeta o futuro.

A sexta e última edição de 2025 das Caravanas da Inovação Portuária, realizada na última segunda-feira, dia 8, e ontem, dia 9, em Santos, utilizando as instalações do Senai e do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos (SDAS), respectivamente, foi de extrema relevância. Concebido e tocado com excelência e paixão pelo diretor de Programa de Políticas Setoriais, Planejamento e Inovação (DPPI) do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), Tetsu Koike, esse projeto é PD&I “na veia”.

Os representantes da organização do evento, da Fundação Parque Tecnológico de Santos (FPTS), do Senai, da Autoridade Portuária de Santos (APS), da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Rodopark e da Direção-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) na abertura do evento ratificaram a importância do tema. Poucas vezes assisti a manifestações tão curtas, pertinentes e objetivas.

Merece destaque especial a menção ao UpLab Senai-SP, programa que tem várias “startups” entre as 100 melhores do País.

O FPTS também tem esse tipo de programa, o mesmo valendo para a Fundação Centro de Excelência Portuária de Santos (Cenep-Santos), que tem cerca de 60 bolsistas desenvolvendo temas de interesse portuário, assim como o Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) da APS, que tem 4 “startups” desenvolvendo projetos de excelência.

A importância da participação do Senai reforçou ser imprescindível incluir o tema porto-indústria, sobretudo quando os palestrantes diferenciaram claramente modernização de inovação: modernização reflete o passado no presente, enquanto que a inovação projeta o futuro.

E é nesse futuro em que se enquadra a proposta de diversificar a carteira de produtos de exportação do País, reduzindo nossa dependência das “commodities”.

A produção industrial deve agregar tecnologia, valor e ter impacto ambiental reduzido, e sua localização próxima a portos é um trunfo logístico, reduzindo o “Custo Brasil”. Juntando a isso a inovação, entendida como a identificação de novos produtos ou formas de produzir que sejam competitivas em mercados existentes ou novos.

As áreas produtivas do agronegócio normalmente são distantes dos portos, mas a produção industrial pode ser próxima, ao lado deles.

Mesmo no caso do agronegócio, mais especificamente do caso do café, a produção de cápsulas para exportação desse produto é avaliada.

A inovação também deve estar presente na logística, nas operações portuárias e na legislação, de maneira a reduzir burocracias e riscos de judicializações.

O que podemos melhorar em nossos produtos industrializados, industrializar as “commodities” que exportamos e explorar nossas riquezas minerais, reduzindo importações?

Quando teremos todos os entes diretamente envolvidos alinhados com o conceito de desenvolvimento sustentado, ou seja, conciliando aspectos ambientais, sociais e econômicos?

Também aí é preciso inovar, para evitar que continuemos décadas atrás de países desenvolvidos, que entendem a importância do planejamento estratégico, lembrando que ele de nada vale se não for efetivamente implementado.

Compra de equipamentos e adoção de modelos importados não é inovar!

É importante estarmos conscientes de que nenhum país é autossuficiente em tudo, e o comércio exterior, além de suprir deficiências e demandas, tem um forte componente geopolítico. O importante é tentar reduzir dependências em relação ao que é estratégico para o desenvolvimento do País.

O processo de inovação envolve governo, iniciativa privada e academia.

Programas estratégicos bem estruturados despertam o interesse privado e o fomento de ambos à pesquisa científica objetiva só tende a gerar resultados concretos, incluindo a produção de patentes.

Durante o evento, falaram em grafeno, terras raras e energia, entre outros recursos que temos em profusão, além do potencial de expansão.

Inovar processos e operações é importante, mas desenvolver produtos industrializados é ainda mais.

Países como Japão e Coreia do Sul, castigados por guerras, e a China, também sujeita a décadas de atraso socioeconômico por questões ideológicas, evoluíram de forma similar, embora em momentos diferentes, com base na implantação de modelos educacionais de alto nível, baseados em excelência e meritocracia, criando condições para manterem inteligências em seus países. O que começou com engenharia reversa passou a desenvolvimento de novas tecnologias, com incentivos governamentais à iniciativa privada e à academia. A produção industrial passou a estar diretamente associada à PD&I.

O atual estágio econômico da China, com suas milhares de zonas econômicas especiais, demonstra o acerto dessa estratégia, mesmo num país governado por uma ditadura. O crescimento econômico gerou estabilidade socioeconômica e a consciência de que esse processo precisa estar em constante evolução.

Em termos de portos, a inovação, direta e indireta, inclui processos – dentre os quais o Port Community System (PCS) -, formação acadêmica, PD&I, gêmeos digitais, “blockchain”, internet das coisas (IoT na sigla em inglÊs), inteligência artificial, 5G, o Vessel Traffic Management and Information System (VTMIS ou, em tradução livre, Sistema de Informação e Gestão do Tráfego de Embarcações), “startups”, mudança do clima, gestão integrada de toda a cadeia produtiva e logística, transformação digital e atração de produção industrial com foco em exportação, que tem o regime de Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) como um dos modelos disponíveis, com enorme potencial de implantação no Brasil.

A inovação também pode estar em montar equipamentos em plantas industriais próximas a portos, em vez de trazê-los em enormes e lentas carretas por estradas que normalmente apresentam restrições geométricas e problemas de manutenção de pavimento. Está na sustentabilidade das matrizes energéticas e de transporte. Está na conscientização de certos setores de que o impacto ambiental de implantações e expansões portuárias e retroportuárias, além de fundamental para a economia nacional e para a criação de empregos, gera recursos para investimentos socioambientais, sobretudo em áreas desprotegidas.

Nesse sentido, é necessário melhorar a sinergia entre os atores do sistema e a comunicação social, para evitar que narrativas alarmistas acabem por gerar mais problemas do que soluções.

Para tudo isso, são imprescindíveis qualificação acadêmica, fomento governamental e estabilidade jurídica e regulatória, com destaque para a agilização de licenciamentos ambientais e a redução do risco de judicializações/litigância predatória.

É um desafio, sem dúvida, ainda mais quando a evolução exige que certos setores e pessoas abandonem usos e costumes anacrônicos, zonas de conforto e interesses corporativistas.

As Caravanas da Inovação Portuária, com suas apresentações e debates, contribuíram significativamente para o fomento dessa necessária e estratégica evolução.

Parabéns a todas as pessoas envolvidas, organizadores, sediadores, ponentes e debatedores, com especial menção ao Engenheiro Tetsu Koike, cuja dedicação e competência são emblemáticas!

 

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