Chamada às armas
A décima e última carta do embaixador André Corrêa do Lago, presidente-designado da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), marca o encerramento de um ciclo de manifestações e defesas de ideais e, em especial, o início de uma convocação à ação. Divulgado nesse domingo, dia 9, na véspera do início das negociações em Belém, o documento ressoou como um apelo direto à comunidade internacional para que a COP30 se torne um “ciclo de ação” e não apenas mais um fórum de debate.
O embaixador relembrou a trajetória iniciada na ECO-92 e enfatizou a capacidade da humanidade de cooperar diante da incerteza. A prioridade para Belém é transformar o grupo de quase 200 países em “uma equipe coesa”, capaz de canalizar a inteligência coletiva para proteger economias, sociedades e ecossistemas. A COP30, na visão do presidente-designado, deve ser a “COP da Verdade”: ou a humanidade escolhe a coragem e a mudança conjunta, ou será forçada a mudar pela tragédia.
A defesa do embaixador de que a COP30, que começa oficialmente nesta segunda-feira, dia 10, implemente uma agenda de mudanças concretas na política energética dos países, é o ponto crucial para o sucesso da conferência. O debate sobre as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que são as metas de mitigação dos países, precisa ser transformado em compromissos com força de lei e em ações de implementação acelerada.
As mudanças devem ser focadas na união e na cooperação entre as nações, uma integração essencial para lidar com um desafio global como as mudanças climáticas. O fato de 79 países terem divulgado suas NDCs, mas ainda representarem apenas 64% das emissões, exige que as potências econômicas restantes assumam compromissos mais ambiciosos.
Vale destacar que a agenda de mitigação exige mais do que promessas; exige financiamento. A expectativa de que o financiamento para países em desenvolvimento avance com ações mais concretas é um ponto de pressão para os países ricos, que precisam cumprir a promessa de mobilizar recursos.
A COP30 tem o privilégio de ser o palco para a renovação do Acordo de Paris. O mundo espera que as nações abracem essa responsabilidade e transformem o fórum de debate em um laboratório de soluções e progresso compartilhado. E que as ações avancem de forma coletiva e integrada, a única estratégia viável, neste momento, se as nações realmente querem vencer o desafio das mudanças climáticas sem maiores tragédias.