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Hudson Carvalho

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Comunicação é sucesso e as palavras dizem pouco

“Expandir sua linguagem corporal – pela postura, pelo movimento e pela fala – faz você se sentir mais confiante e mais poderoso, menos ansioso e autocentrado e, em geral, mais positivo”

Amy Cuddy, psicóloga social, autora e palestrante norte-americana

 

Desde o clássico livro “O Corpo Fala”, hoje com mais de 60 Edições, discutimos com maior seriedade esse tema. Nossa postura diz muito mais do que nossos lábios. Charles Darwin já fazia referências ao fato de os mamíferos apresentarem suas emoções através de expressões faciais.

Nossa postura corporal, gestos, expressões faciais, como apertamos as mãos, a própria distância que colocamos entre nós e nosso interlocutor comunicam mais do que o que verbalizamos.

Os números variam entre os vários estudos, mas concordam que a menor parte, menor mesmo, de nossa percepção a respeito do outro (o conjunto do que ele nos comunica), nos chega através da linguagem corporal. Obviamente nosso interlocutor nos vê e avalia da mesma forma.

Já tive a oportunidade de treinar várias turmas nesse tema, mas hoje há farto material na internet que nos permitirá economizar tempo e palavras por aqui. Recomendo dois, ambos palestras do TED.

O primeiro é um dos campeões de audiência: “Amy Cuddy: Your body language may shape who you are | TED Talk”. São vinte e um minutos que valem a pena. Traz uma mensagem muito importante: a linguagem corporal expressa o que estamos pensando, já sabemos, mas demonstra também uma descoberta adicional ainda mais importante: o caminho inverso também é possível: a postura corporal treinada pode mudar a mente (e o comportamento).

Em outras palavras, assumir o que Amy chama de “postura do poder” pode mudar a forma como você vê e pensa sobre si mesmo. Há também uma questão secundária que envolve hormônios – testosterona e cortisol – sobre a qual não vou me aventurar, mas o exercício em si faz sentido. O que ela afirma no vídeo é que, além de assumir a “postura”, você deve “fingir até que você se torne” o que e como se imagina ser. O termo fingir aqui poderia ser substituído por treinar.

O segundo é de Alexandre Monteiro, esse direcionado a lideranças, chamado “Não basta ser líder, é preciso parecer”. (https://www.youtube.com/watch?v=5VN01Bz5cjA). Perceba que não se trata de mudar artificialmente a essência de quem você é, mas de trazer o seu melhor à tona.

Esse é o gancho que quero usar para estimular você a considerar esse assunto parte importante de sua carreira. A construção de relacionamentos (o networking) são enormemente facilitados pelo aprendizado dessas técnicas. Treinar no dia a dia e usá-las nos momentos importantes da vida profissional, como nas entrevistas de emprego, momento mais do que importante de nossas carreiras.

Imagine-se sentando-se em frente ao entrevistador, com a sua autoestima perfeitamente equilibrada, você respondendo prontamente e todas as questões, não porque você treinou para aquela entrevista, mas porque vem se preparando sistematicamente ao longo da vida.

Estando assim preparado, ficará fácil deixar fluir as “dicas” que a maioria dos sites aconselha para esse momento, mas, repito, não porque você (desculpe-me a palavra forte) foi adestrado para esse momento, mas porque foi corajoso e disciplinado o suficiente para preparar-se para esse momento e fez apenas um ajuste fino para uma entrevista em particular.

Nesse espírito, vamos a elas:

  1. Cumprimente com um leve sorriso. Sorrisos são seus cartões de visita;
  2. Evite apertos de mão por cima da mesa. Colocam uma barreira entre você e o Entrevistador, além de dar a ele a oportunidade de preferência na postura do aperto de mão (o vídeo de Alexandre Monteiro explora bem esse ponto em particular);
  3. Mantenha a coluna reta
  4. Faça contato visual nas horas certas. Demonstra confiança no que se diz;
  5. Tenha uma expressão facial descontraída e serena;
  6. Elimine hábitos que denotem nervosismo. Mexer no celular, nem pensar;
  7. Gesticule enquanto fala. Dê aos gestos o mesmo tamanho da sua fala;
  8. Não cruze os braços, nem pernas. Demonstram resistência ao que está sendo dito;
  9. Não use a bolsa ou pasta como escudo. Por que você precisa de proteção contra o entrevistador?
  10. Incline-se para frente ao ouvir perguntas. Demonstra interesse;
  11. Saia da sala de forma confiante. Arrume suas coisas com calma e repita o bom aperto de mão mantendo o contato visual.

Como escrevi lá em cima, não é só com palavras que se constrói uma estrutura de comunicação que funciona. Não se pode subestimar a importância de outros elementos, além da linguagem corporal, como a escuta ativa e a empatia, que desempenham papéis igualmente cruciais.

Uma coisa é certa: você não pode desprezar o poder da dessas técnicas, seu efeito sobre a forma como você se comunica e principalmente sobre o resultado positivo que elas podem trazer para o desenvolvimento de sua carreira.

Treine e seja melhor.

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