COP30: o momento de se firmar compromissos
O início da fase de negociações políticas da 30ª Conferência do Clima (COP30), liderada por ministros e vice-ministros de mais de 190 delegações, em Belém (PA), marca o momento em que a retórica da sustentabilidade deve se traduzir em compromissos de Estado. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, percebe um movimento positivo entre os países em desenvolvimento em relação à agenda de ações climáticas voluntárias — um conjunto de seis eixos que abrangem desde a transição de energia até a transformação da agricultura e a construção de resiliência urbana.
A adesão de 35 países, organizações internacionais e iniciativa privada à Declaração de Belém para a Industrialização Verde é um sinal de que há um apetite global por um novo modelo de crescimento. O documento concentra metas ambientais, econômicas e sociais com o objetivo de impulsionar a inovação e garantir a modernização do setor industrial sob o prisma da sustentabilidade. No entanto, o otimismo em relação às ações voluntárias e à industrialização verde tem de ser complementado por um compromisso firme em relação ao financiamento climático. A previsão de recursos de nações desenvolvidas para aquelas em desenvolvimento ainda não entrou de forma efetiva na agenda.
A urgência de os representantes governamentais apoiarem a industrialização verde apresentada durante a COP30 reside na necessidade de conciliar a mitigação das emissões com o desenvolvimento socioeconômico. A modernização do setor industrial, por meio de processos de baixo carbono e tecnologias inovadoras, é a única forma de evitar que os países em desenvolvimento sacrifiquem o crescimento em nome da agenda climática. A Declaração de Belém oferece um roteiro para que a economia verde se torne uma oportunidade, e não um fardo.
O sucesso da agenda de industrialização verde dependerá da criação de um ambiente regulatório que incentive a inovação, a transferência de tecnologia e a formação de cadeias de valor sustentáveis. A integração dos setores de indústria e transporte, a preservação de florestas e a transformação dos sistemas alimentares — eixos da agenda de ações voluntárias — precisam de um suporte robusto, principalmente financeiro, para saírem do papel.
A efetividade da agenda climática é indissociável do apoio para os países em desenvolvimento na forma de financiamento. A ausência de uma definição clara sobre os recursos prometidos pelos países ricos compromete a credibilidade das negociações e a capacidade de as nações do Sul Global implementarem a industrialização verde. A crise climática exige que os compromissos sejam mútuos: enquanto os países em desenvolvimento avançam em ações voluntárias e reformas estruturais, os países desenvolvidos devem cumprir sua responsabilidade histórica com o aporte financeiro.
A partir desta semana, as negociações políticas lideradas pelos ministros devem usar os relatórios técnicos como base para fechar um texto que resolva essa lacuna. A COP30 tem a oportunidade de transformar o cenário internacional, mas isso só será possível se houver coragem política para assinar um pacto que garanta financiamento, elimine a incerteza e impulsione o desenvolvimento sustentável em escala global.