Copa do Mundo e ESG: o que diferencia os verdadeiros campeões
No futebol e no ESG, os campeões não são aqueles que apenas reagem às circunstâncias. São aqueles que se preparam antes, trabalham em equipe, aprendem continuamente e mantêm o foco em um objetivo maior.
A cada quatro anos, a Copa do Mundo mobiliza bilhões de pessoas ao redor do planeta. Torcedores acompanham resultados, analisam estatísticas, celebram vitórias e lamentam derrotas. Mas, para além da emoção dos noventa minutos, existe uma reflexão interessante: o que realmente diferencia uma seleção campeã das demais?
A resposta raramente está apenas no talento individual. Grandes campanhas são construídas ao longo de anos, com planejamento, liderança, disciplina, trabalho em equipe e capacidade de adaptação. Curiosamente, esses são os mesmos elementos que sustentam uma agenda ESG consistente.
Assim como uma seleção vencedora não é formada na véspera do torneio, empresas sustentáveis também não surgem da noite para o dia. Ambas dependem de uma estratégia clara, investimentos contínuos e decisões que nem sempre geram resultados imediatos, mas que se mostram fundamentais ao longo da jornada.
O “E” de Environmental nos convida a olhar além do próximo jogo. Em uma Copa do Mundo, treinadores tomam decisões pensando em toda a competição, administrando o desgaste dos atletas e preparando a equipe para os desafios seguintes. Nas empresas, o raciocínio é semelhante. Questões como mudanças climáticas, eficiência energética, economia circular e descarbonização exigem visão estratégica e compromisso permanente.
A pressão pelo desempenho de curto prazo existe tanto no esporte quanto nos negócios. No entanto, os grandes vencedores entendem que competitividade e sustentabilidade caminham juntas. Afinal, quem não se prepara para o futuro corre o risco de não participar dele.
O “S” de Social talvez seja o elemento mais visível dentro de uma equipe esportiva. Uma seleção reúne atletas com histórias, origens, culturas e características diferentes. O desafio é transformar essa diversidade em força coletiva.
Nas organizações, acontece exatamente o mesmo.
Empresas que investem em inclusão, desenvolvimento de pessoas, saúde, segurança e bem-estar criam ambientes mais inovadores, resilientes e preparados para enfrentar cenários complexos. Nenhuma seleção conquista uma Copa sozinha. Da mesma forma, nenhuma empresa constrói uma agenda ESG relevante sem o engajamento genuíno de suas pessoas.
O futebol também nos ensina uma importante lição sobre pertencimento. Quando um atleta veste a camisa de sua seleção, ele representa algo maior do que si mesmo. Nas empresas, colaboradores que compreendem seu papel dentro de um propósito comum tendem a gerar mais valor, colaborar mais e enfrentar desafios com maior capacidade de superação.
Já o “G” de Governança costuma ser o fator que separa equipes promissoras de equipes verdadeiramente vencedoras.
Ao longo da história das Copas, vimos seleções repletas de talentos fracassarem por falta de organização, liderança ou gestão. Também vimos equipes menos badaladas alcançarem resultados extraordinários graças a uma estrutura sólida, processos bem definidos e clareza na tomada de decisões.
Nas empresas, a lógica é a mesma.
Governança não significa burocracia. Governança significa coerência entre discurso e prática. É a capacidade de gerir riscos, promover transparência, estabelecer responsabilidades e garantir que as decisões sejam tomadas de forma ética e consistente.
Em um cenário cada vez mais exigente para empresas e lideranças, a governança deixou de ser um diferencial para se tornar uma condição essencial para a geração de valor sustentável.
Existe ainda uma semelhança importante entre a Copa do Mundo e a jornada ESG: ambas exigem resiliência.
Nenhuma seleção vence todos os jogos com facilidade. Há momentos de pressão, erros, críticas e resultados inesperados. O que diferencia os campeões é a capacidade de aprender rapidamente, ajustar estratégias e seguir evoluindo.
Com a agenda ESG não é diferente. Empresas enfrentam desafios regulatórios, tecnológicos, operacionais e financeiros. Nem sempre os avanços acontecem na velocidade desejada. Ainda assim, organizações que mantêm consistência e compromisso conseguem construir resultados sólidos e duradouros.
Talvez a maior lição que a Copa nos ofereça seja justamente esta: o verdadeiro sucesso não é resultado de uma ação isolada, mas da soma de escolhas feitas diariamente.
Um gol pode decidir uma partida, mas não conquista uma Copa sozinho.
Da mesma forma, uma ação social pontual, uma campanha ambiental ou um relatório de sustentabilidade não tornam uma empresa sustentável por si só.
O que gera resultados duradouros é a integração entre estratégia, cultura, pessoas e governança.
No futebol e no ESG, os campeões não são aqueles que apenas reagem às circunstâncias. São aqueles que se preparam antes, trabalham em equipe, aprendem continuamente e mantêm o foco em um objetivo maior.
No final, tanto nos gramados quanto nas organizações, as maiores conquistas pertencem a quem entende que desempenho e sustentabilidade não competem entre si. Pelo contrário: jogam no mesmo time. E são justamente as equipes que conseguem alinhar esses dois objetivos que constroem legados capazes de atravessar gerações.
Béatrice de Toledo Dupuy e demais integrantes do Conselho ESG dos fóruns Brasil Export escrevem semanalmente, sempre às sextas-feiras, para o BE News.