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Opinião

Editorial

Dia de caos no Santos Dumont

O episódio vivido nessa terça-feira, 30 de setembro, no Aeroporto Santos Dumont expôs, mais uma vez, a vulnerabilidade da infraestrutura nacional diante de incidentes que, embora possam ser considerados pontuais, revelam falhas de prevenção e de resposta. Foram quase 12 horas de interdição da principal pista, com 161 voos cancelados e 16 mil passageiros prejudicados, segundo balanço da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear). Um vazamento de óleo no motor de um caminhão de manutenção bastou para paralisar um dos terminais mais movimentados do país e espalhar transtornos por toda a malha aérea.

É inadmissível que uma ocorrência ligada a um equipamento de rotina, em plena madrugada, resulte em tamanho colapso. A demora para liberar a pista, o que ocorreu apenas no final da tarde, deixou milhares de pessoas à própria sorte, enfrentando longas filas, perdendo compromissos profissionais, remarcando viagens de lazer e até tratamentos de saúde. Enquanto companhias aéreas buscavam minimizar os danos, passageiros dormiam em bancos ou improvisavam locais de descanso nos corredores, cenário que não deveria se repetir em um país que se pretende competitivo e moderno.

O problema não se restringiu ao Rio de Janeiro. A ponte aérea Congonhas-Santos Dumont, eixo vital do transporte aéreo nacional, ficou praticamente suspensa, com reflexos em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e em outros terminais. O Galeão precisou receber aeronaves em caráter emergencial, numa reedição de improvisos que revelam como a rede de aviação ainda carece de resiliência para lidar com imprevistos.

É justo reconhecer o esforço das equipes técnicas que atuaram na limpeza e inspeção da pista, assim como a decisão de ampliar o horário de operação do Santos Dumont para mitigar os efeitos da paralisação. Mas isso não exime a necessidade de respostas mais amplas. O país precisa encarar a questão da infraestrutura aeroportuária com seriedade. Rotinas de manutenção e protocolos de contingência não podem ser frágeis a ponto de transformar uma falha mecânica em tragédia logística.

O que se espera, após o caos do dia 30, é que as autoridades responsáveis — Infraero, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Ministério de Portos e Aeroportos — apresentem explicações claras e medidas concretas para evitar que cenas como as registradas no Rio se repitam. O passageiro brasileiro já convive com tarifas altas, terminais lotados e serviços frequentemente aquém do esperado. Não pode, ainda, ser condenado a enfrentar o desamparo diante de falhas que poderiam e deveriam ser contornadas com maior eficiência.

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