Diálogo que abre caminhos
O encontro realizado na quinta-feira, dia 11, sede da CMA CGM, em Marselha, na França, reuniu interesses que vão muito além de uma agenda protocolar. Ao colocar frente a frente o CEO de um dos maiores grupos de logística do mundo, Rodolphe Saade, o ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, e o presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, a reunião reforça um movimento essencial para o futuro da infraestrutura brasileira: aproximar grandes operadores globais das oportunidades de investimento que o País oferece.
As declarações de Saade, ao afirmar que “quer expandir as operações no Brasil” e que o País “tem um papel fundamental na estratégia de crescimento” da CMA CGM, evidenciam que o mercado brasileiro não apenas desperta interesse, mas ocupa posição central na visão de longo prazo de um conglomerado que está presente em mais de 160 países. A recente aquisição do controle acionário da Santos Brasil, uma das maiores operadoras de terminais portuários do país, é prova concreta desse compromisso.
A possibilidade de a CMA CGM disputar o leilão do Tecon Santos 10, um megaterminal que poderá movimentar até 3,25 milhões de TEU por ano, reforça o peso estratégico do Porto de Santos no comércio exterior. Cada passo rumo a novos investimentos representa capacidade adicional para atender ao crescimento da economia e dar vazão às exportações brasileiras, em especial do agronegócio.
Mais do que discutir projetos específicos, encontros como esse pavimentam um canal de diálogo contínuo entre o governo brasileiro e investidores internacionais. É nesse ponto que a Missão França 2025, do Grupo Brasil Export, ganha relevância. Ao promover visitas técnicas e agendas estratégicas, cria o ambiente necessário para que decisões de bilhões de reais em investimentos possam amadurecer e se transformar em realidade.
A visita ao Porto de Marselha, outro ponto da agenda do ministro e do presidente da APS, completa o quadro ao permitir o intercâmbio de experiências em gestão, inovação e sustentabilidade. Ao comparar modelos e buscar referências internacionais, o Brasil se coloca em posição de avançar na modernização de seus portos, preparando-se para receber navios de maior porte, impulsionar o turismo de cruzeiros e garantir eficiência logística.
Os sinais são claros. O Brasil está no radar dos grandes players globais e tem nas mãos a oportunidade de transformar esse interesse em desenvolvimento, competitividade e empregos. Mas, para que isso se concretize, é preciso manter o ambiente regulatório estável, os projetos bem estruturados e o diálogo aberto, exatamente como ocorreu em Marselha.