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Beto Umbuzeiro

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Duimp: modernização necessária, mas que ainda exige adaptação da cadeia logística

A realidade do dia a dia mostra que a velocidade prometida pelo sistema depende diretamente da qualidade das informações inseridas na origem. Erros de cadastro, inconsistências documentais, classificações incorretas de mercadorias e falhas no preenchimento do catálogo de produtos podem gerar exigências, retrabalho e aumento do tempo de permanência da carga nos recintos alfandegados. E, na logística, tempo continua sendo dinheiro.

A transformação digital do comércio exterior brasileiro avança em ritmo acelerado. A implantação da Declaração Única de Importação (Duimp), um dos pilares do Portal Único de Comércio Exterior, representa talvez a maior mudança estrutural dos últimos anos nos processos de importação do país.

O objetivo é claro: reduzir burocracia, eliminar redundâncias, integrar órgãos governamentais e aumentar a eficiência das operações. A proposta é positiva e necessária. Afinal, durante décadas, o setor conviveu com procedimentos fragmentados, excesso de documentos e múltiplas interfaces entre operadores e órgãos anuentes.

Segundo o Programa Portal Único de Comércio Exterior, a modernização foi concebida, justamente, para reduzir prazos, custos operacionais e aumentar a competitividade das empresas brasileiras em todo o mundo. Entre os benefícios previstos estão a centralização de informações, maior automação dos processos, gerenciamento de riscos e integração entre os controles aduaneiros e administrativos.

Porém, toda transformação dessa magnitude produz efeitos que vão além da teoria. No retroporto de Santos (SP), onde diariamente circulam cargas destinadas aos mais diversos mercados, a implantação da Duimp vem sendo acompanhada por um processo natural de adaptação. E é nesse período de transição que surgem alguns dos principais desafios para operadores logísticos, importadores, terminais e recintos alfandegados.

As operações sujeitas à anuência de órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) merecem atenção especial. Diferentemente de cargas com fluxo mais simplificado, esses processos dependem de validações técnicas, informações detalhadas de produto e integração eficiente entre diferentes sistemas governamentais.

A própria Anvisa reconhece que a migração para o novo modelo representa uma transformação estrutural relevante e exige um período de adaptação operacional, tanto para os órgãos públicos quanto para os operadores privados. A agência, inclusive, implantou painéis específicos para acompanhamento das filas de análise e reforçou orientações sobre preenchimento correto das informações para evitar inconsistências e atrasos.

Os ganhos, entretanto, já começam a aparecer. Em uma das primeiras operações realizadas integralmente pelo novo modelo, uma importação sujeita à fiscalização sanitária recebeu liberação em apenas dez minutos após o registro da DUIMP, graças à análise automatizada de risco e à integração entre os órgãos envolvidos. O resultado demonstra o potencial de eficiência que a nova plataforma pode alcançar quando toda a cadeia opera de forma sincronizada.

Por outro lado, a realidade do dia a dia mostra que a velocidade prometida pelo sistema depende diretamente da qualidade das informações inseridas na origem. Erros de cadastro, inconsistências documentais, classificações incorretas de mercadorias e falhas no preenchimento do catálogo de produtos podem gerar exigências, retrabalho e aumento do tempo de permanência da carga nos recintos alfandegados. E, na logística, tempo continua sendo dinheiro.

Para operadores do retroporto, isso significa a necessidade de investir ainda mais em qualificação de equipes, revisão de processos internos e integração tecnológica. Não basta que o sistema seja moderno. Toda a cadeia precisa estar preparada para operar dentro dessa nova lógica — talvez, este seja o principal aprendizado da DUIMP até aqui.

A modernização do comércio exterior brasileiro não depende apenas da tecnologia. Ela depende da capacidade de adaptação das empresas, dos operadores logísticos, dos órgãos anuentes e de todos os agentes envolvidos nas operações de importação.

No longo prazo, os benefícios tendem a superar os desafios. Menos burocracia, maior previsibilidade e redução de custos são objetivos que interessam a todo o setor. Mas, no curto prazo, especialmente em cargas sujeitas a controles sanitários, fitossanitários e regulatórios, a fase de transição exige atenção redobrada.

A Duimp representa um avanço importante para o comércio exterior brasileiro. O desafio, agora, é transformar esse incremento tecnológico em ganhos operacionais efetivos para toda a cadeia logística. Isso porque, no final das contas, a competitividade não nasce apenas dos sistemas. Ela parte da capacidade de utilizá-los da maneira correta.

Beto Umbuzeiro escreve para o BE News quinzenalmente, com seus artigos publicados sempre às quintas-feiras.

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