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Hudson Carvalho

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Economia GIG. As carreiras mudaram para sempre. Você percebeu?

“Sempre teremos trabalho. Empregos, como os conhecemos, talvez não”.

 

Você já ouviu a expressão, “Economia GIG”? Não é um fenômeno novo. Na verdade, sempre existiu em menor escala, mas ganhou corpo com a pandemia e, mais importante, não dá sinais de que vá diminuir seu ritmo de crescimento.

Afinal, do que se trata? De uma maneira bem resumida, é um modelo econômico que envolve a contratação de profissionais independentes para atividades temporárias. Os motoristas de aplicativos são um bom exemplo do que quero dizer, embora estejam longe de serem os únicos.

Os “gig’s” não só estão conectados a trabalhos ditos temporários, como também podem executar diferentes tipos de atividades, conforme as oportunidades se apresentam, muitas vezes intermediadas por plataformas digitais. Nesse sentido, são, de certa forma, multifuncionais.

O termo tem origem em uma gíria, em inglês, usada na sua gênese, para nomear o trabalho dos músicos em apresentações pontuais. Trabalhos únicos ou por tempo determinado, de uma forma geral. Os demais profissionais, freelancers, autônomos, prestadores de serviço, pegaram carona na definição. Se fosse dito pelo meu avô seria, “pessoal que vive de bicos”.

Somados, são números impressionantes. Estima-se que tenham movimentado mundialmente algo em torno de 557 bilhões de dólares em todo o mundo no ano de 2024. Para quem tem interesse em fundamentos, os estudos dos economistas Alan Krueger e Lawrence Katz explicam as causas desse crescimento.

Quais são elas? É verdade que a facilidade de acesso à Internet, com baixo custo de acesso e o avanço dos smartphones, foram decisivos para o avanço que estamos vendo nessa forma de relação de trabalho, mas são os fatores comportamentais que mais influenciaram nessa mudança, como o desejo por mais liberdade de horários e qualidade de vida.

É preciso dizer também que até pouco tempo era uma forma “não convencional”, para dizer o mínimo, de estruturar a carreira. Por isso, existe pouca legislação que discipline quais os direitos trabalhistas e previdenciários estariam acessíveis e como. A velocidade desses profissionais em renunciar ao mercado formal de trabalho é maior do que a resposta que o sistema consegue dar. Férias remuneradas, Aposentadoria pelo sistema oficial, Seguro Desemprego, Horas-Extras, Aviso Prévio e muito mais, simplesmente somem do radar.

As empresas também precisam prestar enorme atenção a esse tipo de relação de trabalho. Não apenas por serem tomadoras de serviço desses profissionais, portanto passíveis de serem acionadas para que seja reconhecido um futuro vínculo trabalhista, com todas as suas consequências legais e pecuniárias, mas também porque, ao mesmo tempo, estão inaugurando um mundo completamente novo na organização interna do trabalho. O clima organizacional, que vem da convivência entre colegas de trabalho e seus líderes, como ficará?

As relações de subordinação, a hierarquia, numa relação contratual tão tênue, onde o prestador do serviço pode desligar-se a qualquer momento e por qualquer razão, como ficarão estabelecidas?

Minha avaliação é que faltam dispositivos legais para atender aos interesses de quem presta e de quem toma trabalho dessa forma, deve haver em contrapartida muito cuidado em deixar todos os detalhes da relação, muito bem amarrados num Contrato. Pode ser contestado? Sim, mas pelo menos haverá um registro formal da vontade das partes no momento em que a relação se concretizou.

Há um outro aspecto a ser avaliado por quem atua como “gig worker”. Prepare-se!

Como? Antes de tudo, fugindo da tentação de ser multifuncional demais, escolha uma área de atuação e entenda o contexto no qual ela está inserida. Significa dizer que especializar-se é bom, mas é preciso entender com quais e como a atividade que escolheu se relaciona com outras. Visão de conjunto.

Em seguida, mantenha-se mais do que atualizado. No mundo gig, apenas saber tudo o que está acontecendo neste exato momento não é suficiente. É preciso andar na frente do mercado. Antever, ler tendências, muitas vezes escondidas em meio a enorme quantidade de informações que recebemos todos os dias. Desnecessário dizer que um profissional com essa capacidade vale mais em qualquer mercado.

Por último, não gaste mais do que ganha. Essa regra vale para todos nós, mas tem uma importância superior para quem não tem a (muitas vezes falsa) proteção de pertencer a uma organização formal, com todos os direitos trabalhistas e previdenciários garantidos. Reserve uma parte do que ganha para garantir o futuro. Num mundo onde o próximo trabalho não está garantido, pode significar sobrevivência. Ou não.

Se você está disposto a seguir essa trilha, saiba que é um mundo novo. Cuide-se.

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