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Beto Umbuzeiro

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Eficiência que gera valor para quem movimenta cargas

O futuro da logística será construído dessa forma: utilizando tecnologia para simplificar processos, eliminar etapas que não agregam valor e permitir que as cargas circulem com mais rapidez.

Na logística, toda decisão operacional produz um efeito em cadeia. Um contêiner que permanece mais tempo do que o necessário no terminal ocupa espaço, exige novas movimentações, consome combustível, mobiliza equipamentos e, inevitavelmente, aumenta custos. No fim dessa cadeia está o cliente, que espera rapidez, previsibilidade e eficiência.

É por isso que, cada vez mais, a inovação precisa ser medida pelo valor que entrega ao embarcador, ao importador e ao exportador — e não apenas pela tecnologia empregada.

Durante muitos anos, os investimentos em terminais portuários estiveram concentrados na ampliação da infraestrutura física. Esse movimento continua sendo importante, mas hoje existe um fator igualmente decisivo para a competitividade: a inteligência aplicada à operação.

A inteligência artificial permite organizar o pátio de forma mais eficiente, definir a melhor posição para cada contêiner e eliminar movimentações desnecessárias. Pode parecer um detalhe operacional, mas seus efeitos são percebidos diretamente pelo cliente.

Quando um terminal realiza menos movimentos para localizar e liberar uma carga, o resultado é uma operação mais rápida, menor permanência do contêiner no pátio e maior disponibilidade de espaço para receber novas cargas. Em outras palavras, aumenta-se a fluidez da operação.

Na Transbrasa, a adoção desse modelo reduziu em 33,6% os movimentos improdutivos no pátio. Também houve uma evolução significativa na movimentação de contêineres de importação, que passaram de uma média de 12 movimentos internos por unidade para pouco mais de oito.

Esses números não representam apenas ganhos operacionais. Eles significam menos tempo entre a chegada da carga e sua disponibilização ao cliente, maior previsibilidade logística e redução de custos ao longo de toda a cadeia.

Outro passo importante foi a renovação dos equipamentos utilizados na movimentação de contêineres. Os novos Reach Stackers, além de ampliarem a produtividade e oferecerem mais segurança operacional, consomem aproximadamente 30% menos combustível do que equipamentos da geração anterior.

A consequência é dupla. De um lado, a empresa reduz seus custos operacionais e ganha eficiência. De outro, cria condições para oferecer um serviço mais competitivo aos clientes, mantendo uma operação mais ágil, confiável e sustentável.

Naturalmente, a redução do consumo de diesel também diminui as emissões de gases de efeito estufa. Esse é um benefício relevante e alinhado às transformações pelas quais passa a logística mundial. No entanto, acredito que sustentabilidade e competitividade não precisam ser tratadas como objetivos distintos. Operações mais inteligentes desperdiçam menos recursos, consomem menos energia e geram mais valor.

O futuro da logística será construído dessa forma: utilizando tecnologia para simplificar processos, eliminar etapas que não agregam valor e permitir que as cargas circulem com mais rapidez.

No final das contas, é isso que faz a diferença para quem produz, importa, exporta ou movimenta mercadorias. Quanto menor o tempo da carga no terminal, menor tende a ser o custo da operação. E uma logística mais eficiente sempre será um fator de competitividade para toda a cadeia.

Beto Umbuzeiro escreve para o BE News quinzenalmente, com seus artigos publicados sempre às quintas-feiras.

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