Eletrificação já
A eletrificação dos portos e navios desponta como uma das soluções mais viáveis para a descarbonização do transporte marítimo. Especialistas do setor, como o executivo João David Santos, da Wilson Sons, defendem que essa é a forma mais rápida de os navios reduzirem suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) enquanto estão atracados. No entanto, o Brasil ainda não oferece essa tecnologia em nenhum de seus portos. O que se vê são iniciativas pontuais de empresas e portos que começam a discutir a viabilidade de instalar a infraestrutura necessária para a transição.
O desafio está na capacidade de transmissão de energia, não na sua geração. O Brasil tem uma matriz energética limpa e grande potencial para gerar energia renovável, especialmente no Nordeste, mas as linhas de transmissão ainda são insuficientes para escoar essa produção para outras regiões do País. A gerente de Meio Ambiente do Porto do Itaqui, Luane Lemos, ressaltou que a infraestrutura para a transmissão de energia é o principal gargalo global, e que o custo para a sua instalação é o que torna o processo mais caro.
A importância de os portos oferecerem energia elétrica para os navios é um ponto crucial para o futuro do setor. A medida permite que um navio, ao atracar, desligue seus motores, eliminando a queima de combustível e as emissões de GEE durante o período de parada. A eletrificação é um passo fundamental para que a navegação se alinhe às metas globais de descarbonização e contribua para um transporte mais limpo e sustentável.
A busca por soluções para os desafios da eletrificação, com o desenvolvimento de estudos de viabilidade e a colaboração entre empresas como a Wilson Sons, a Transpetro e portos como o do Itaqui (MA), do Pecém (CE) e de São Sebastião (SP), demonstra o compromisso do setor em encontrar caminhos para a transição.
A defesa de que as medidas necessárias para isso, como a ampliação do sistema de transmissão de energia no País, seja ampliado, é uma agenda que o setor público e privado devem abraçar com urgência. A falta de linhas de transmissão inibe o investimento em tecnologias como a eletrificação portuária. O caso do Porto do Itaqui, que questiona a falta de navios adaptados para a eletrificação e a falta de infraestrutura para o fornecimento de energia, mostra que a transição exige um esforço conjunto.
O Governo, ao investir na formação de eletricistas para atuar na ampliação dos sistemas de transmissão do Nordeste, demonstra que está alinhado com a agenda. No entanto, o ritmo das obras precisa ser acelerado para que a infraestrutura esteja pronta para atender aos investimentos que os armadores, como Maersk, CMA-CGM e MSC, já estão realizando para adaptar suas frotas. O caminho mais curto para a descarbonização dos navios é a eletrificação, e o Brasil tem o potencial para liderar essa transição. A superação dos desafios na transmissão de energia e a colaboração entre os players são a chave para um futuro mais verde e próspero para o setor portuário.