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Opinião

Editorial

Da Redação

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Em pauta, a integração ferroviária no Sul do Brasil

A recente união dos governos de Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul para propor melhorias no sistema ferroviário regional é um passo estratégico e fundamental. A decisão de atuar de forma coordenada, focando na renovação das concessões existentes e na criação da Ferrosul — uma malha integrada entre os quatro estados — sinaliza um reconhecimento da urgência em otimizar a infraestrutura logística do Sul do Brasil.

O encontro técnico em Florianópolis, que reuniu os governadores Eduardo Leite (RS) e Jorginho Mello (SC), além de representantes dos outros estados, estabeleceu um compromisso concreto. A formalização de uma comissão técnica conjunta para participar do debate nacional sobre a renovação das concessões ferroviárias, especialmente a da Malha Sul, cujo contrato com a Rumo Logística vence em 2027, demonstra proatividade. Essa comissão também terá a importante tarefa de articular a proposta de criação da Ferrosul, visando ao fortalecimento e à integração da logística ferroviária regional.

O governador Jorginho Mello, anfitrião da reunião, enfatizou que essa união é vital para a economia dos estados, conferindo uma capacidade de negociação que antes não existia. A percepção de que a região não tem recebido a devida atenção em termos de eficiência logística por décadas reforça a necessidade desse protagonismo conjunto.

No Rio Grande do Sul, a situação é particularmente preocupante. A redução drástica da malha operacional — de 3.823 quilômetros concedidos para apenas 921 em uso, agravada pelos danos das enchentes de 2024 — demanda ações urgentes. O governador Eduardo Leite defendeu que a prorrogação da concessão da Malha Sul não pode ocorrer sem compromissos concretos de investimento e planejamento. A exigência de que os recursos da devolução de trechos sejam aplicados na região, onde o prejuízo é real e o potencial de crescimento é evidente, é totalmente pertinente.

Para o Paraná, o transporte ferroviário é estratégico, especialmente para o escoamento da produção agrícola via Porto de Paranaguá. O estado já investe na ampliação dessa capacidade, com projetos como o Moegão e a desestatização da Ferroeste. O secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex, reforçou a defesa da inclusão da Ferroeste na modelagem da nova concessão, sublinhando a importância de novos investimentos para a quarta maior economia do Brasil.

A parceria firmada entre os estados do Sul e Mato Grosso do Sul, capitaneados por Santa Catarina, para ampliar e integrar sua malha ferroviária, também é um modelo a ser replicado. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, o modal ferroviário é crucial para o escoamento eficiente da produção agrícola e industrial, reduzindo custos logísticos e impulsionando a competitividade. Historicamente, o modal rodoviário predomina, mas os desafios ambientais, os altos custos de manutenção e os gargalos de infraestrutura exigem uma diversificação urgente.

A criação da Ferrosul, como uma malha integrada, tem o potencial de conectar regiões produtivas, facilitar o acesso a portos e fortalecer a cadeia logística. Essa iniciativa não apenas impulsionará o uso desse modal em suas economias, mas também contribuirá para um sistema de transporte mais equilibrado e sustentável em nível nacional. A colaboração entre os governos estaduais, em conjunto com o Ministério dos Transportes, é o caminho para transformar a infraestrutura ferroviária da região e liberar seu pleno potencial econômico.

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