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Bayard Umbuzeiro Neto

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Empresas familiares e o compromisso com as próximas gerações

Quando apoiamos iniciativas culturais, ajudamos a preservar a identidade de uma comunidade. Quando investimos em projetos esportivos, criamos oportunidades para crianças e jovens. Quando fortalecemos ações educacionais, contribuímos para formar os profissionais que, amanhã, poderão liderar o próprio setor portuário. E, quando incentivamos projetos ambientais, colaboramos para que o desenvolvimento econômico aconteça de forma equilibrada e responsável.

Em um país onde cerca de 90% das empresas têm origem familiar, segundo levantamento do IBGE em parceria com o Sebrae, falar sobre sucessão costuma remeter imediatamente à continuidade dos negócios. Mas, para organizações que atravessam décadas de história, preservar o legado significa ir além da passagem do comando entre gerações. Significa compreender que o patrimônio construído ao longo do tempo também pertence às pessoas, à cidade onde a empresa nasceu e às comunidades que ajudaram a torná-la possível.

O Porto de Santos é um bom exemplo dessa relação. Ao longo de sua história, consolidou-se como o principal elo entre o Brasil e o comércio internacional, respondendo por cerca de 30% da corrente comercial brasileira. Ao redor dele, surgiram empresas que cresceram acompanhando a expansão da atividade portuária, atravessaram diferentes ciclos econômicos e se transformaram em parte da identidade da Baixada Santista.

Quando uma empresa permanece ativa por décadas, ela inevitavelmente passa a fazer parte da história da região. Gera empregos, forma profissionais, movimenta cadeias produtivas, incentiva fornecedores e contribui para o desenvolvimento econômico local. Ao mesmo tempo, assume uma responsabilidade que vai além dos resultados financeiros.

A longevidade empresarial é resultado de planejamento, capacidade de adaptação e investimentos permanentes. Mas existe outro fator, menos mensurável, que também ajuda a explicar por que algumas organizações atravessam gerações enquanto outras desaparecem: o compromisso de construir valor para além dos próprios muros.

Nos últimos anos, essa visão ganhou ainda mais relevância. Consumidores, investidores e parceiros de negócios passaram a observar não apenas indicadores financeiros, mas também a forma como as empresas se relacionam com seus colaboradores, com o meio ambiente e com a sociedade. Um estudo global da Deloitte mostra que organizações orientadas por propósito tendem a apresentar maior capacidade de retenção de talentos, melhor reputação e maior resiliência em períodos de transformação econômica.

Essa mudança de percepção também alcançou o setor portuário. Hoje, discutir competitividade envolve falar de eficiência operacional, inovação, sustentabilidade e relacionamento com a comunidade. Não são temas isolados. Eles fazem parte da mesma estratégia de longo prazo.

Ao completar cinco décadas de atuação, a Transbrasa escolheu celebrar esse momento olhando para frente. Neste ano, destinou R$ 1,25 milhão ao apoio de 14 projetos sociais, culturais, esportivos, educacionais e de preservação ambiental desenvolvidos na Baixada Santista. Não se trata de uma ação pontual, mas da compreensão de que empresas que prosperam em determinado território também têm a oportunidade de contribuir para seu desenvolvimento.

Afinal, nenhuma organização cresce sozinha. Por trás de qualquer trajetória empresarial existem trabalhadores que dedicaram anos de suas vidas, famílias que confiaram em oportunidades de emprego, parceiros comerciais que caminharam juntos e uma cidade que ofereceu as condições necessárias para esse crescimento.

Esse talvez seja um dos maiores aprendizados das empresas familiares que conseguem atravessar gerações: entender que legado não é apenas aquilo que permanece dentro da empresa. É também aquilo que permanece fora dela.

Quando apoiamos iniciativas culturais, ajudamos a preservar a identidade de uma comunidade. Quando investimos em projetos esportivos, criamos oportunidades para crianças e jovens. Quando fortalecemos ações educacionais, contribuímos para formar os profissionais que, amanhã, poderão liderar o próprio setor portuário. E, quando incentivamos projetos ambientais, colaboramos para que o desenvolvimento econômico aconteça de forma equilibrada e responsável.

Esse é um conceito que conversa diretamente com o futuro do Porto de Santos. Os investimentos previstos para ampliação da capacidade logística, novos terminais, aprofundamento do canal de navegação e modernização da infraestrutura são fundamentais para sustentar o crescimento do comércio exterior brasileiro. Mas esse desenvolvimento será ainda mais consistente se vier acompanhado da capacidade de gerar oportunidades para quem vive ao redor do porto.

Empresas familiares costumam pensar em décadas, não em trimestres. Talvez por isso entendam, com maior clareza, que cada decisão tomada hoje ajuda a construir o ambiente onde as próximas gerações irão trabalhar, empreender e viver.

No fim das contas, o verdadeiro legado não está apenas na continuidade da empresa. Está na capacidade de deixar uma cidade melhor do que aquela que encontramos, formar pessoas que levarão adiante novos projetos e mostrar que desenvolvimento econômico e desenvolvimento social podem caminhar lado a lado. É assim que uma empresa deixa de ser apenas parte da história de uma região para se tornar parte do seu futuro.

Bayard Umbuzeiro Neto escreve para o BE News quinzenalmente, com seus artigos publicados sempre às quintas-feiras. 

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