terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Energia solar: desenvolvimento e desafios

O aumento da geração de energia solar no Brasil, que ultrapassou a marca de 55 gigawatts (GW) de potência instalada operacional, é uma importante evolução da infraestrutura energética nacional. A consolidação da fonte solar como a segunda maior da matriz elétrica brasileira, com 22,2% da capacidade instalada, evidencia o potencial da energia limpa e renovável para impulsionar o desenvolvimento sustentável do País.

A expressiva adesão à geração própria de energia solar, com 37,6 GW instalados em cerca de cinco milhões de imóveis, demonstra a crescente conscientização da população sobre os benefícios dessa fonte energética. A economia na conta de luz, a valorização dos imóveis e a contribuição para a preservação do meio ambiente são fatores que impulsionam a adoção da energia solar em residências, comércios e propriedades rurais.

Essa expansão não apenas gera benefícios econômicos, com a criação de empregos e a arrecadação de impostos, mas também contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, combatendo as mudanças climáticas. A energia solar se consolida como uma aliada fundamental na construção de um futuro mais verde e sustentável para o Brasil.

No entanto, a plena exploração do potencial da energia solar no País exige a superação de entraves que limitam seu crescimento. Os cancelamentos de projetos por distribuidoras, os atrasos na conexão de pequenos sistemas e a ausência de ressarcimento por cortes de geração renovável geram insegurança jurídica e afastam investimentos.

A recusa de conexão de novos sistemas com base em possíveis inversões de fluxo de potência, sem a apresentação de estudos técnicos que comprovem riscos à rede elétrica, é um obstáculo para a expansão da geração distribuída. A falta de mecanismos de compensação para grandes usinas solares amplia a insegurança jurídica e prejudica o desenvolvimento de projetos de grande porte.

Nesse cenário, a aprovação do projeto de lei que institui o Programa Renda Básica Energética (Rebe) e atualiza o marco legal da micro e minigeração distribuída, a Lei 14.300/2022, é fundamental para garantir a previsibilidade regulatória e incentivar a produção limpa e descentralizada de energia no Brasil. 

A superação dos entraves e a criação de um ambiente favorável para o desenvolvimento da energia solar são essenciais para que o País possa aproveitar ao máximo o potencial dessa fonte de energia limpa e renovável. É o caminho para o Brasil fortalecer sua economia sem abrir mão de seu caráter sustentável.

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