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Hudson Carvalho

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Está difícil manter a Geração Z na sua equipe? Pare de perder tempo

Vamos aos fatos primeiro. Estudos recentes apontam que 60% das empresas demitiram colaboradores da GenZ poucos meses após contratá-los. Mostram também que 74% dos líderes (1.000 gerentes nos Estados Unidos) acham essa a geração mais desafiadora para se trabalhar.

“As três coisas mais difíceis do mundo são: guardar um segredo, perdoar uma ofensa e aproveitar o tempo.” Benjamin Franklin

Avalie a biografia de Mr. Franklin por diferentes pontos de vista. Tente diferentes perspectivas. É bem provável que você chegue à mesma conclusão do que eu: era um sábio. Cientista, editor, jornalista e diplomata. Ajudou a fundar uma nação.

Uma dica dessa genialidade está na sua observação sobre a dificuldade que ainda temos em aproveitar bem o tempo. Justo ele, que sabemos ser um dos mais, senão o mais precioso bem que temos.

Uma boa maneira de desperdiçar tempo está em insistirmos na discussão da forma, enquanto o conteúdo, que é onde efetivamente residem os problemas e as suas soluções, permanece intocado.

Veja, por exemplo, como estamos conduzindo uma questão essencial para o mundo do trabalho em nossos dias: a dificuldade de manter os profissionais da Geração “Z”, motivados e produtivos em seus postos de trabalho.

Vamos aos fatos primeiro. Estudos recentes apontam que 60% das empresas demitiram colaboradores da GenZ poucos meses após contratá-los. Mostram também que 74% dos líderes (1.000 gerentes nos Estados Unidos) acham essa a geração mais desafiadora para se trabalhar.

Até esse ponto da análise tenho ouvido, como resposta, simplória, argumentos como “chame os 50+ de volta ao trabalho”’.

É uma análise rasa, se considerarmos que, em 2025, os “Z” representarão 25% da força mundial de trabalho. Não há “cinquentões” em quantidade para suprir toda essa demanda. Esses “grisalhos” também não tem perfil para as posições que estão e estarão disponíveis, ou seja, não há quantidade nem qualidade (perdoem-me o mau uso da palavra) para dar conta da carga de trabalho.

Conclusão: temos que lidar com os GenZ, queiramos ou não. É um fato. Aliás, deixe-me corrigir esse termo: Será que “lidar”, considerado o peso negativo da expressão, como se isso fosse um fardo, é a certa a ser usada? Não é fácil demais rotular, afirmando “se distraem facilmente”, “se ofendem por qualquer coisa”, “são desmotivados”, “não se esforçam”.

É com eles – e não apesar deles – que vamos continuar a fazer as coisas acontecerem e os resultados, alcançados.

Já consideramos que eles possuem habilidades no uso de recursos tecnológicos, de compreensão das redes sociais, superiores ao das gerações anteriores? Sim, eles são digitais, enquanto muitos de nós, analógicos de nascença, tateando o mundo digital.

Dito isso, eu desafio os que crucificam essa geração a dizer quantas vezes procurou de verdade formas de despertar a atenção deles para o trabalho. Com a minha equipe, eu troco o que me ensinam sobre o uso do smartphone, pelas histórias de como era difícil falar com o outro lado do mundo usando um telex, ou fax, mas como isso, embora desafiador, desenvolvia nossa resiliência e paciência. De quebra, aproveito a “deixa” para falar um pouco sobre os perigos de ser imediatista, algo de que eles são “acusados” com frequência.

Quantas vezes falamos sobre o que era considerado bullying no passado e como tratamos esse tema hoje. No fim da conversa todos entendemos como respeitar e não ultrapassar os limites do outro. Com a reciprocidade, nos vemos como iguais e ninguém se sente ofendido.

Cada reunião de pé, cada café tomado junto, é uma oportunidade para ouvir o que fazem no dia a dia, dentro e principalmente fora do ambiente de trabalho. É como compreendo o que os motiva e aprendo como fazer com que se esforcem mais, para o desenvolvimento deles próprios e da organização.

Eles prezam pelo equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. É verdade. Mas nós não deveríamos fazer isso também? Se tivéssemos tratado esse aspecto, o tema Saúde Emocional seria a preocupação Número Um dos RH`s da atualidade? Teria sido necessário incluir, de forma obrigatória, a gestão de Riscos Psicossociais na Norma Regulamentadora – 01? Teríamos os custos adicionais nos Planos de Saúde com a inclusão de terapias alternativas e medicamentos.

Essas reflexões consomem tempo, é verdade. Discutir esses temas de forma madura, de igual para igual, com eles, também. A postura de ir ao encontro dos GenZ, acolhê-los, mais ainda. Mas eu pergunto: Que alternativa temos, a não ser adaptarmos o ambiente, os espaços e os processos de trabalho a essa realidade?

Mais do que tudo, isso é “ser” humano no sentido estrito da palavra, não?

 

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