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Hudson Carvalho

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Eu já fiz a minha parte…

Existem frases as quais, usadas com frequência, demonstram a forma de pensar, e por consequência, o comportamento de um profissional ou de uma equipe. A que uso no título deste artigo é, seguramente, a mais destruidora de todas elas.

É a pior porque, quando a organização permite que ela seja usada, outras também destruidoras, quase tão ruins, como “Isso sempre foi assim” ou “manda quem pode, obedece quem tem juízo.” encontram espaço para prosperar. A falta de espírito de equipe e de engajamento que expressa, permite que as demais progressivamente apareçam.

O “já fiz a minha parte” é equivocadamente tolerado por algumas empresas, porque parece politicamente correto. Poucos têm coragem de ir contra alguém que fez o que deveria fazer. Conheço diversas empresas que chegam a premiar esse comportamento.

Miopia organizacional. É justamente esse o problema. Só fez o que deveria fazer. Quem age assim, está dizendo, na verdade: “Você que se vire, com seus problemas.”.

Quando cada colaborador se limita ao seu escopo de trabalho, sem considerar o impacto de suas ações no coletivo, cria-se um ambiente de colaboração superficial. Não demorará muito para que a falta de visão sistêmica, essencial para o sucesso organizacional, também apareça.

Imagine o projeto de lançamento de um produto. O time de marketing entrega uma campanha perfeita, mas não se comunica com a equipe de vendas sobre os detalhes do produto ou público-alvo. O resultado? Leads mal qualificados, baixo retorno sobre o investimento e frustração em todos os departamentos. O esforço individual foi feito, mas o resultado coletivo foi prejudicado. Uso esse exemplo para reiterar que esse comportamento começa com o indivíduo e contamina a equipe.

Está instalado o caos, leia-se, resultados ruins e perda de produtividade. É possível, inclusive, medir o tamanho desse caos. Uma pesquisa da Consultoria McKinsey revelou que equipes com alto nível de confiança entre seus membros, são 3,3 vezes mais eficientes e 5,1 vezes mais propensas a alcançar resultados positivos. Além disso, equipes que tomam decisões de forma eficaz são 2,8 vezes mais inovadoras do que aquelas que não o fazem.

Outro levantamento da Stanford University constatou que equipes que trabalham bem juntas são 50% mais produtivas do que aquelas que não colaboram de forma eficaz. Os números evidenciam que a colaboração não é apenas uma prática desejável, mas uma necessidade estratégica para o sucesso corporativo.

A pergunta de um milhão de dólares é: Como reverter a cultura do “já fiz a minha parte”?

Veja o que fazem as grandes empresas globais para incentivar que seus colaboradores atuem além do escopo formal de suas funções. Falando em linguagem de RH, ir além de suas descrições de cargo.

Na 3M, por exemplo, existe a política dos “15% do tempo”, que permite a seus funcionários utilizar parte de sua carga horária para projetos que considerem inovadores, mesmo que não façam parte de suas responsabilidades diretas. Isso gerou produtos icônicos como a fita adesiva Post-it.

No Google, equipes de Engenharia e Produtos frequentemente compartilham protótipos e insights antes da fase oficial de desenvolvimento, criando um efeito multiplicador positivo: problemas são resolvidos mais rapidamente e oportunidades de inovação surgem com mais frequência.

  1. Estabelecer objetivos comuns: Defina metas claras e compartilhadas que alinhem esforços individuais ao sucesso da Equipe e estes aos da organização como um todo.
  2. Fomentar a comunicação aberta: Crie canais transparentes onde todos se sintam à vontade para compartilhar ideias e feedbacks. Elimine a cultura do medo de errar.
  3. Valorizar a diversidade de habilidades: Aproveite competências diferentes dos membros da equipe, promovendo inclusão e colaboração estratégica.
  4. Celebrar conquistas coletivas: Reforce a importância do trabalho em equipe premiando resultados alcançados em conjunto.
  5. Investir em desenvolvimento contínuo: Ofereça treinamentos e programas que incentivem a melhoria constante das habilidades colaborativas.

Ao adotar essas práticas, líderes criam uma cultura onde os colaboradores se empenham além de suas responsabilidades, contribuindo para o sucesso coletivo e gerando resultados que nenhuma ação isolada poderia alcançar.

A soma de dois mais dois passará a ser cinco. Ou mais, muito mais.

Hudson Carvalho é Consultor em Estratégia de Gestão de Pessoas, Diretor Regional da WISDOM – Gestão Organizacional (Desenvolvemos Pessoas e Processos) para o ABCD e Baixada Santista e Diretor Executivo da ELABORE-ONLINE – Pessoas e Resultados.

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