terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Hudson Carvalho

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Eu volto atrás. E você?

“Só sei que nada sei.”
Sócrates, pai da Filosofia ocidental

Como escrevi no título, volto. Mas reconheço que – na hora da volta, e só nessa hora, dói fazê-lo. Logo depois, passa.
Um ou outro pode me chamar de turrão. Eu me considero um “convicto de minhas opiniões”. Não pelo prazer de sê-lo. Não há prazer nenhum nisso, mas por que considero muito e várias vezes cada fator envolvido antes de decidir, o que aumenta a sensação de estar certo, quando tomo uma decisão. Não é tarefa fácil, pois muitas vezes, tudo isso tem que ocorrer em poucos segundos.

Com exceção da minha mulher Silvia, pelo meu desejo e necessidade absolutos de preservar nosso casamento de 36 anos, meus demais interlocutores, não tem vida fácil, também. Precisam de fatos, dados e uma boa linha de argumentação para me convencer. Ela não. Frequentemente tem razão. Naturalmente.

Por paradoxal que pareça, confesso que sinto grande prazer quando conseguem me mostrar o contrário, me demover de uma posição. É quase impossível não pensar: O “cara” é bom.

Faço dessa autoanalise, uma atitude permanente por que quero fugir de ser um dos personagens mais perigosos para uma organização: os “donos da verdade”.

Você os reconhece por serem usuários frequentes da frase: “Eu sempre fiz assim”. Também por serem adeptos do monólogo ao invés do diálogo.

Olimpicamente ignoram as opiniões alheias por mais fundamentadas que sejam. Ignoram a realidade à sua volta, ignoram a necessidade imperiosa que temos de aprender tudo o que pudermos, continuamente, enquanto estivermos vivos. Ignoram o que gostamos de chamar hoje de longlife learning.

Mais do que tudo, ignoram o enorme benefício que é aprender com os próprios erros. Se fosse algo que afeta apenas o próprio “turrão”, já seria ruim, mas afetaria apenas a ele próprio.

Infelizmente o limite vai além. O profissional incapaz de reconhecer que outros à sua volta podem estar corretos, afeta toda a Equipe, corrói os relacionamentos e -em última análise, toda a organização e seus resultados.

Numa alusão que me parece exagerada, são chamados de “tóxicos”. Pode ser um exagero, mas a verdade é que, quando esse tipo de comportamento atinge níveis perigosos, é comum associá-los a assédios de várias naturezas.

Recentemente uma pessoa próxima me relatou o caso de uma associação de classe, presidida por um tipo “certo de estar sempre certo”, 100% do tempo, em que ela ouvia de profissionais e empresas que poderiam fazer parte da tal associação: “Enquanto Fulano estiver por aí, não contem comigo”.

Alguns podem dizer que há um fator de auto proteção na causa de agir desses indivíduos, mas, convenhamos, é inegável também que há uma certa dose de falta de humildade nesse comportamento, não?

Muito bem, então os senhores da razão, estão condenados a viverem assim para sempre? Não!

Sempre é tempo de mudar, e a contagem desse tempo só pode começar com o reconhecimento dessa necessidade. Eu tenho um Amigo que – alertado por pessoas próximas – passou a anotar as ocasiões em que viu-se tentando insistentemente provar que estava certo. Eram muitas e ele resolveu mudar de atitude. É outro homem hoje.

Outra boa ideia, para continuar o diagnóstico, é montar uma lista das situações, pessoas ou assuntos que disparam em nós o sentimento de provar que estamos certos.

Caminhando na linha da solução, a minha melhor dica é praticar a Escuta Ativa. Ouça atentamente e, antes de provar o seu ponto de vista, pergunte: “Se entendi bem, você acha que, …” ou “Como você enxerga isso?”. Funciona.

Outra ideia que funciona é desafiar as próprias crenças. Reserve um tempo para ler opiniões contrárias. Participe de conversas desafiadoras de seus pontos de vista, tomando o cuidado de falar alternadamente e respeitar a fala dos demais. Interromper, jamais.

Por último, a dica mais importante. Escolha alguém de sua confiança, que se preocupe de verdade com você e peça feedback. Ouvir verdades, vindas de alguém que você respeita, pode mudar tudo.

Vamos terminar? Um Provérbio Russo: “Voltar atrás é melhor do que perder-se no caminho”.

Sigamos. Sempre é possível ser e fazer diferente e melhor.

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