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Milena de Castro

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Grande demais para uma resposta só!

Ao longo de suas cinco edições, o Porto Hack Santos mostrou que a inovação aberta vai muito além da tecnologia. Ela acontece quando pessoas com diferentes formações e experiências se encontram para olhar desafios conhecidos sob novas perspectivas.

O porto é uma máquina de resolver problemas. Todos os dias, milhares de decisões precisam ser tomadas em tempo recorde. A operação não pode parar. O navio não espera. A carga tem prazo. Cada minuto conta.

Em um ambiente assim, as empresas desenvolveram uma extraordinária capacidade de responder aos desafios da operação, formando especialistas, aperfeiçoando processos e acumulando um conhecimento técnico valioso. 

Faz sentido confiar naquilo que sempre deu certo. Afinal, esse repertório foi construído ao longo de décadas de experiência. Mas será que ele, sozinho, basta para responder aos desafios que ainda nem conhecemos? 

O risco não está no conhecimento acumulado. Está em acreditar que as melhores respostas para os desafios do futuro continuarão surgindo do mesmo lugar de onde vieram as soluções do passado.

É aí que a inovação aberta muda o jogo. Ela parte de uma ideia simples: conhecimento não tem CEP. As melhores respostas podem nascer dentro do porto, mas também podem surgir em uma universidade, um centro de pesquisa, uma comunidade de inovação ou até num setor que nunca movimentou um único contêiner.

Inovação aberta não significa abrir mão da experiência de quem conhece profundamente o setor. Significa ampliá-la. Criar conexões entre os desafios reais do porto e o conhecimento que está espalhado pelo mundo. 

O resultado é garantido? Naturalmente que não. Porque inovação não é uma linha de produção. Nem toda ideia vira uma solução. Mas quando duas inteligências se encontram – a de quem vive a operação e a de quem olha para ela de um lugar diferente – aumentam as chances de resolver os problemas do presente. E não apenas isso. Crescem também as possibilidades de compreender mudanças antes que elas se consolidem, identificar oportunidades que ainda não estão no radar, antecipar tendências, gerar valor para todo o ecossistema portuário e preparar o porto para os desafios de amanhã.

Foi exatamente essa visão que começou a transformar o Porto Hack Santos. A primeira edição foi um hackathon pontual, uma maratona tecnológica de 30 horas corridas. E pronto. Com o passar dos anos o projeto foi ganhando musculatura, entregou em dezenas de protótipos desenvolvidos para responder a desafios reais do Porto de Santos e trouxe centenas de pessoas para dentro da inovação no setor. 

O objetivo principal nunca foi entregar produtos. É claro que uma boa ideia pode surgir dali. Uma tecnologia pode encontrar uma nova aplicação. Um projeto pode evoluir para uma aplicação. No entanto, o propósito maior do Porto Hack Santos é se afirmar como uma plataforma permanente de inovação aberta, capaz de aproximar novos talentos, acelerar aprendizados e fomentar a evolução do setor portuário. O desafio proposto aos times muda a cada ano. E isso não acontece por acaso. Um laboratório de inovação aberta não pode ficar preso às mesmas perguntas enquanto muda a realidade ao seu redor. 

Em 2026, esse laboratório estará voltado para uma das maiores mudanças recentes do comércio exterior brasileiro: o Novo Processo de Importação. Entre os dias 18 e 20 de setembro, mais de 200 estudantes universitários participarão da etapa online, encarando o desafio de compreender como a DUIMP poderá alterar decisões dos importadores. Também vão avaliar os efeitos dessa mudança sobre os recintos alfandegados e cadeia logística do comércio exterior. 

A grande final será em 22 de setembro, em Santos, quando as dez equipes finalistas apresentarão suas propostas a um júri de autoridades e especialistas do setor. Mais do que escolher a proposta e a equipe vencedora, esse encontro marcará o encerramento de mais uma etapa de uma plataforma que continuará produzindo conhecimento para a comunidade portuária.

Sempre é bom lembrar que essa é uma tendência crescente nos principais ecossistemas de inovação portuária do mundo. Nos grandes portos europeus e asiáticos, empresas, universidades, especialistas e operadores trabalham cada vez mais colaborativamente para enfrentar novas questões relacionadas à digitalização de processos e à eficiência operacional. Em Santos, o Porto Hack Santos segue a mesma lógica, adaptada às características e necessidades do setor portuário brasileiro. 

Ao longo de suas cinco edições, o Porto Hack Santos mostrou que a inovação aberta vai muito além da tecnologia. Ela acontece quando pessoas com diferentes formações e experiências se encontram para olhar desafios conhecidos sob novas perspectivas. Gente que talvez nunca tenha trabalhado em um terminal portuário, mas que traz novas perguntas, repertórios diferentes e possibilidades ainda não exploradas. E ao final de cada edição, as empresas têm a oportunidade de identificar e atrair talentos capazes de contribuir para a evolução que o setor precisa.

O que nos leva a uma provocação: de onde virá a próxima ideia capaz de transformar o Porto de Santos? Talvez ela esteja justamente na cabeça de alguém que ainda nem faz parte do setor.

Milena de Castro. Gerente de Comunicação da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra).

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