Green bonds, a solução verde para o transporte
O debate sobre a utilização dos green bonds (títulos verdes) para financiar projetos ferroviários, realizado na Green Zone da COP30 nessa quarta-feira, dia 12, ressaltou um ponto importante para a transição energética do Brasil: o capital verde é o instrumento mais eficaz para corrigir o desequilíbrio histórico da matriz de transportes. A discussão, promovida pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e outras lideranças do setor, confirmou que investir em ferrovias é um caminho direto para a descarbonização, uma vez que o modal responde por menos de 1% das emissões do setor de transportes.
A diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, destacou a urgência de reverter o cenário atual, onde mais de 60% das cargas circulam por rodovias, das quais apenas 12,4% são pavimentadas, enquanto o modal ferroviário transporta pouco mais de 15% do total. A solução para esse desequilíbrio e para a redução de custos logísticos passa, necessariamente, por um aumento significativo da participação das ferrovias.
A importância dos green bonds como forma de financiar empreendimentos de transportes é essencial. Esses títulos verdes se consolidam como o mecanismo financeiro mais adequado para a descarbonização do setor, pois vinculam o capital levantado a metas ambientais e de sustentabilidade. A emissão de debêntures, com R$ 400 bilhões previstos entre 2020 e 2025, já se provou um instrumento relevante de financiabilidade, mas a vinculação aos critérios ESG, como estruturado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) por meio da Resolução nº 6.057/2024, eleva o padrão de investimento.
A experiência da Rumo, que captou cerca de R$ 7 bilhões em green bonds desde 2020, demonstra que a descarbonização é um negócio viável. O capital verde é um catalisador que atrai investidores internacionais e permite que as operadoras viabilizem financeiramente o avanço da malha ferroviária, incorporando biocombustíveis e inovação tecnológica.
Além do transporte de cargas, a dirigente da CNT defendeu uma visão integrada que inclua os sistemas ferroviários metropolitanos. O transporte de pessoas por ferrovia nos grandes centros urbanos pode reduzir drasticamente as emissões e melhorar a mobilidade. A cidade precisa enxergar o transporte ferroviário como eixo estruturante, articulado aos demais modais.
O green bond é mais do que um instrumento financeiro; é uma política de Estado. Ele garante que os investimentos de longo prazo na infraestrutura ferroviária sejam realizados com clareza regulatória e compromisso ambiental, transformando o transporte de cargas e de passageiros em um motor de desenvolvimento sustentável e competitivo para o Brasil. Esse é o caminho que o mercado de infraestrutura deve seguir e que o poder público deve fortalecer.