terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Hidrovias, uma questão de inteligência logística e responsabilidade ambiental

A defesa enfática do modal hidroviário pelo CEO do Grupo Brasil Export, Fabricio Julião, na abertura do Norte Export em Belém (PA), nessa quinta-feira, dia 25, ressoou como um lembrete contundente da urgência em se priorizar esse tema. O debate sobre as hidrovias, que são “tão óbvias do ponto de vista da sustentabilidade”, precisa sair da retórica e se materializar em projetos concretos, especialmente para o desenvolvimento do Brasil e da região Norte.

A região do Arco Norte, com suas vastas bacias hidrográficas, representa uma oportunidade de progresso concreta para toda a sociedade brasileira, principalmente diante de seu uso para o escoamento de parte da produção agrícola nacional. No entanto, o potencial logístico inexplorado dos rios exige uma agenda de trabalho que transforme rios navegáveis em hidrovias economicamente viáveis. O reconhecimento do esforço de gestores, como o secretário nacional de Hidrovias, Dino Batista, reforça que a vontade política existe, mas o ritmo de conversão precisa ser acelerado.

O desenvolvimento e a maior utilização do modal hidroviário é uma questão de inteligência logística e responsabilidade ambiental. As hidrovias se destacam como o modal mais sustentável e de menor impacto ambiental, especialmente quando comparadas ao modal rodoviário, predominante no País. O transporte por barcaças consome menos energia, reduz a emissão de gases de efeito estufa e retira cargas das rodovias, diminuindo o desgaste das estradas, o que se traduz em ganhos para a economia e para o meio ambiente.

A Região Norte, com seus rios caudalosos, deveria ter nas hidrovias a espinha dorsal de seu sistema de transportes. A exploração desse modal não apenas baratearia o escoamento da produção agrícola e mineral, mas também criaria corredores logísticos mais resilientes e eficientes, essenciais para o crescimento do Arco Norte.

Para tirar o modal do papel, torna-se imperativo defender o início do programa de concessões dos serviços de transporte hidroviário no Brasil. A experiência positiva com as concessões em portos e ferrovias demonstra que a atração do capital privado, aliada a um marco regulatório seguro, pode acelerar o investimento em infraestrutura.

O Governo Federal, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos, tem a responsabilidade de criar um ambiente de negócios que estimule a iniciativa privada a investir em dragagens, sinalização e construção de terminais hidroviários. O progresso, como citado por Fabricio Julião, precisa ser acompanhado de uma logística que sustente o crescimento, e as hidrovias são a chave para garantir que o desenvolvimento da região Norte seja pujante, eficiente e, acima de tudo, sustentável.

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