Imagem e influência na era da IA
A tecnologia redefine os meios, mas o fator humano segue determinando os fins.
Como as soft skills e o posicionamento visual estão redefinindo o recrutamento estratégico
O universo do recrutamento está passando por uma transformação profunda. Em 2025, segundo o relatório “O Futuro do Recrutamento – Brasil”, publicado pelo LinkedIn, a inteligência artificial generativa (IA) consolidou-se como uma aliada estratégica nos processos seletivos. Cerca de 73% dos profissionais de atração de talentos no País afirmam que a IA já está mudando a forma como empresas contratam, automatizando tarefas operacionais, agilizando triagens e ampliando o alcance a talentos diversos.
Entretanto, ao mesmo tempo em que a tecnologia assume o operacional, cresce a demanda por competências que apenas os seres humanos dominam plenamente. O próprio relatório destaca que, com a automatização de funções repetitivas, o diferencial competitivo dos recrutadores passa a ser sua capacidade de desenvolver relacionamentos, comunicar com clareza e exercer pensamento crítico.
Essa tendência também é confirmada por um levantamento recente da Forbes Brasil, com base em dados da plataforma LinkedIn, que listou as 15 habilidades em maior ascensão no mercado brasileiro. Entre elas, destacam-se soft skills como comunicação eficaz, resolução de conflitos, empatia e visão estratégica, sinalizando que a performance relacional está no centro da excelência profissional contemporânea.
O recrutador como embaixador de marca
À medida que a IA assume o papel de triagem e análise, o profissional de recrutamento deixa de ser apenas um executor de processos para tornar-se um embaixador da marca empregadora. Essa mudança exige mais do que domínio técnico: requer sensibilidade humana, escuta ativa e presença estratégica.
O relatório do LinkedIn traz um dado revelador: nos anúncios de vagas para cargos de recrutamento no Brasil, observou-se um crescimento expressivo nas exigências por competências interpessoais nos últimos anos:
– Desenvolvimento de relacionamentos: aumento de 7 vezes
– Comunicação entre os profissionais: aumento de 3 vezes
– Raciocínio analítico: aumento de 3 vezes
Em outras palavras, a tecnologia redefine os meios, mas o fator humano segue determinando os fins.
“Green e red flags” no recrutamento executivo
Em complemento a esses dados, a matéria “Recrutadores revelam as principais green e red flags em processos seletivos”, publicada pela Forbes Brasil em abril de 2025, oferece uma visão prática sobre o que de fato diferencia candidatos em níveis mais estratégicos.
Sinais positivos (green flags) apontados por recrutadores incluem:
– Comunicação estruturada, clara e adaptável;
– Autoconhecimento e consciência de trajetória profissional;
– Preparação prévia e alinhamento com os valores da empresa.
Já os sinais de alerta (red flags) frequentemente observados em entrevistas executivas são:
– Falta de consistência no discurso ou nas experiências;
– Tendência à autopromoção excessiva ou discurso vitimista;
– Histórico de alta rotatividade sem justificativa coerente.
Essa leitura reforça o papel da comunicação, verbal e não verbal, como critério decisivo para o avanço em processos seletivos.
A imagem pessoal como estratégia de comunicação
É nesse ponto que a imagem pessoal ganha protagonismo. Em um ambiente onde influência, clareza e confiança são ativos de valor, a forma como o profissional se apresenta comunica tanto quanto o que ele verbaliza.
No universo corporativo, especialmente entre executivos, a imagem não é apenas estética, ela representa posicionamento, cultura e coerência. Em contextos híbridos, reuniões remotas e interações digitais, a primeira impressão visual pode ser determinante na formação da percepção profissional.
Construir uma imagem pessoal estratégica significa:
– Alinhar estilo, comportamento e discurso à cultura e aos valores da organização;
– Utilizar a linguagem visual (roupas, postura, expressões) para reforçar autoridade e empatia;
– Gerar consistência entre aparência, conteúdo e propósito, o tripé da credibilidade.
A nova liderança é relacional, visual e adaptável
A liderança que se destaca em 2025 é aquela que alia fluência tecnológica com inteligência relacional. E isso se aplica tanto ao recrutador quanto ao executivo de alta gestão.
As empresas mais bem posicionadas estão investindo em estratégias integradas que unem:
– Soft skills desenvolvidas: escuta, colaboração, comunicação clara;
– Marca pessoal autêntica: presença visual e verbal que expressa valores;
– Domínio do digital: uso da IA como suporte, sem perder a dimensão humana.
Como apontou Vanessa Togniolli, diretora executiva de RH da CI&T, em declaração para o relatório do LinkedIn:
“Sugiro que os líderes de talentos utilizem a tecnologia para realizar tarefas operacionais e concentrem-se em encontrar candidatos com potencial de se desenvolver.”
Esse olhar de longo prazo exige que a liderança também invista em si mesma: não apenas em competências técnicas, mas também em autoimagem, expressão e influência positiva.
Conclusão: sua presença está alinhada com seu potencial?
Executivos atentos sabem que, em mercados complexos e competitivos, não basta ser competente, é necessário ser percebido como tal. A imagem pessoal, a clareza da comunicação e a habilidade de construir relacionamentos de confiança são os diferenciais da nova era de talentos.
A inteligência artificial pode acelerar contratações, mas não substitui a sensibilidade, a ética e a inteligência emocional que moldam relações profissionais sustentáveis.
Por isso, fica o convite à reflexão:
Sua imagem comunica o que você representa?
Seu posicionamento transmite clareza, coerência e liderança?
Sua presença é estratégica ou apenas circunstancial?
Na era da IA, o futuro continua humano. E imagem pessoal, quando construída com intencionalidade, fortalece a autoridade, gera confiança e posiciona o profissional como um embaixador de marca.
Fabiolla de Paula escreve para o BE News semanalmente, com seus artigos publicados sempre às sextas-feiras