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Clara Laface

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Imagem profissional não se constrói apenas com desempenho: desenvolva o seu carisma e fortaleça sua capacidade de influência

É verdade que algumas pessoas demonstram, desde cedo, maior facilidade em gerar interesse e conexão. Ainda assim, isso não significa que o carisma seja um dom restrito a poucos. Ele é composto por comportamentos observáveis, competências emocionais e escolhas conscientes que podem ser aprendidas, praticadas e aprimoradas ao longo da vida.

Em ambientes que exigem alto rigor técnico, é comum que profissionais concentrem quase toda a atenção nas habilidades operacionais — as chamadas hard skills — e deixem em segundo plano as habilidades comportamentais. Esse é um equívoco recorrente. Independentemente do nível de automação, processos ou tecnologia envolvidos, todos os negócios continuam sendo feitos por pessoas e para pessoas. Ignorar essa dimensão humana compromete resultados, relações e reputação ao longo do tempo.

Entre as habilidades frequentemente negligenciadas, está o carisma. O tema ainda provoca resistência em ambientes corporativos por ser tratado, muitas vezes, como algo subjetivo ou pouco mensurável. No entanto, sua ausência é facilmente percebida: dificuldade de engajar equipes, comunicação pouco eficaz, baixa influência e relações profissionais frágeis. Carisma é uma habilidade que pode ser desenvolvida por todos.

Muitos associam carisma à extroversão e partem do pressuposto equivocado de que se trata de uma característica inata. Essa confusão faz com que profissionais mais reservados descartem, desde cedo, a possibilidade de desenvolver essa habilidade. Carisma não está ligado ao volume da voz, à expansividade ou à presença constante em ambientes sociais. Aliás, muitas vezes essas características, quando em excesso, mais afastam do que unem.

É verdade que algumas pessoas demonstram, desde cedo, maior facilidade em gerar interesse e conexão. Ainda assim, isso não significa que o carisma seja um dom restrito a poucos. Ele é composto por comportamentos observáveis, competências emocionais e escolhas conscientes que podem ser aprendidas, praticadas e aprimoradas ao longo da vida. Por esse motivo, o desenvolvimento do carisma deve fazer parte do plano de desenvolvimento individual. 

O termo tem origem na Grécia Antiga, a partir da palavra khárisma, utilizada há cerca de 2.500 anos para se referir a uma qualidade capaz de despertar adesão e confiança. Ao longo da evolução humana, especialmente com o surgimento do homo sapiens, a capacidade de se relacionar passou a ter maior valor do que a força física. A conexão tornou-se essencial para a sobrevivência e para a construção coletiva.

Nesse contexto, percebeu-se que atingir objetivos individuais e coletivos exigia mais do que competência técnica. Era necessário criar vínculo, transmitir segurança e estabelecer cooperação. Durante muito tempo, o carisma foi interpretado como um dom quase divino. Hoje, compreende-se que ele pode ser desenvolvido por meio de estratégias conscientes e comportamento consistente.

Diversas figuras são frequentemente lembradas como carismáticas: Silvio Santos, o casal Michelle e Barack Obama, Mahatma Gandhi e Nelson Mandela, entre outros. Apesar de trajetórias, culturas e estilos pessoais distintos, todos compartilhavam a capacidade de mobilizar pessoas, gerar confiança e comunicar propósito. O ponto central não está na personalidade, mas nos elementos que sustentam essa influência.

O cientista político Heni Ozi Cukier, em seu livro Inteligência do Carisma: aprenda a ciência de conquistar e influenciar pessoas (Editora Planeta), sistematizou esse conceito por meio do que chamou de tríade do carisma. Segundo ele, essa habilidade é sustentada por três pilares complementares:

Inteligência emocional: trata-se da capacidade de reconhecer as próprias emoções, compreender seus impactos e regulá-las de forma adequada. Envolve autoconhecimento, autocontrole e responsabilidade emocional. Sem foco interno, o comportamento tende a ser reativo, o que compromete relações e decisões.

Inteligência social: ela diz respeito à forma como o indivíduo se relaciona com os outros: comunicação clara, empatia, escuta ativa e leitura das dinâmicas interpessoais. Pessoas carismáticas sabem criar espaço para o diálogo, demonstram interesse genuíno e constroem relações baseadas em respeito.

Inteligência contextual: Trata-se da habilidade de compreender o ambiente, o momento e o cenário em que se está inserido. Essa leitura orienta a linguagem, o posicionamento e as escolhas estratégicas. Saber quando falar, como falar e o que não dizer faz parte dessa competência.

 

Por que é importante desenvolver o carisma

O carisma integra a gestão da imagem pessoal porque influencia diretamente a coerência entre quem a pessoa é e como ela é percebida. É importante lembrar que imagem vai muito além da roupa que se veste. Ela envolve comportamento, comunicação, postura e capacidade de interação em diversos ambientes. Desenvolver habilidades ligadas ao carisma contribui para uma imagem mais congruente, autêntica e alinhada à identidade real do indivíduo.

 

Claro que carisma só não basta

Os exemplos citados até aqui são positivos, mas é necessário reconhecer que o carisma também pode ser usado de forma nociva. Um líder austríaco, que chegou ao poder em 1933, utilizou sua capacidade de mobilizar massas para promover destruição e violência. A história demonstra que o carisma, quando desconectado de valores, pode se transformar em manipulação. Por isso, ele precisa estar ancorado não apenas na personalidade, mas em princípios como ética, responsabilidade, respeito e senso coletivo. A linha entre influência e manipulação é tênue.

 

Seja a boa influência que o seu setor precisa

Aos líderes, o desenvolvimento do carisma amplia o poder de influência e a capacidade de gerar impacto positivo. Isso não significa abandonar competências técnicas, operacionais ou estratégicas. Pelo contrário. O carisma potencializa essas competências ao facilitar conexões, fortalecer a comunicação e sustentar relações de confiança. Quando bem direcionado, ele transforma lideranças em referências consistentes e contribui para ambientes mais maduros, responsáveis e humanos.

Carisma não é sobre ser protagonista constantemente ou ter uma popularidade vazia. É sobre consistência entre discurso e prática e gerar conexão sem perder identidade. E, principalmente, sobre exercer influência de forma ética, consciente e alinhada aos valores que sustentam uma trajetória sólida ao longo do tempo. Em tempos em que a confiança é um ativo que muitos percebem como escasso, a capacidade de gerar conexão verdadeira torna-se um elemento central para relações mais estáveis, respeitosas e duradouras.

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