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Hudson Carvalho

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Incluir, em tempos em que as diversidades não param de aumentar

“Faz aquilo que achares justo, mesmo que o outro pense diferente.”

Pitágoras

 

Entendo que seja absolutamente impossível fazer negócios hoje em dia, sem considerar o tripé formado pelas letras E.S.G.

Você já conhece o seu significado, mas supondo que tenha chegado agora ao planeta, reescrevo: Environmental (as justas preocupações com o Meio Ambiente e os efeitos que pode trazer à vida humana), Social (as mais que necessárias ações para tentar diminuir as imensas diferenças sociais que enfrentamos) e Governance (as preocupações com seguir à risca o que determinam a Legislação, as Normas, o Mercado e as boas práticas de gestão). Você já deve ter lido também sobre o meu incômodo com a menor carga de discussão que o “G” recebe frente às demais, visto serem as ações de gestão que comandam todo o restante. Mas isso já foi e continuará sendo, conversa para outro dia.

Como consultor em Recursos Humanos e em gestão de organizações, sou chamado com frequência a formatar soluções em diferentes áreas. Foi uma dessas demandas que me chamou de volta para o tema sobre o qual quero caminhar junto com você nesse texto.

É uma trilha de preocupação, no Universo do “S”, falando especificamente de inclusão no mundo do trabalho, da enorme quantidade perfis diversos que compõem a sociedade.

Confesso que me causa certa tristeza ter que tratar desse tema.

Afinal, por baixo da pele – seja ela de que cor for, se somos homens ou mulheres, da opção religiosa ou sexual que tenhamos, e por aí vai, somos todos iguais, pertencentes ao Gênero Humanos, iguais em essência. Ponto!

Pode comparar o seu DNA com o vizinho: será 99%, com muitos noves depois da vírgula, igual ao dele.

Se somos mais iguais do que diferentes, por que nos concentramos nas diferenças que nos afastam, mais do que nas similaridades que nos aproximam?

Perceba que é muito fácil cair na cilada da segregação, da separação: experimente dividir um grupo até então harmônico, em dois subgrupos, e dar à cada metade uma camiseta de cor diferente. Pronto: o “nós contra eles” estará instaurado.

Tome como exemplo o Oriente Médio e sua interminável história de conflitos, por exemplo. Apesar de viverem sob as mesmas condições geográficas, alimentarem-se de forma similar, possuírem música e dança parecidos, etc, preferem a discordar entre si do que abraçarem-se. Dói.

Nos falta exercitar a empatia, essa capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. Falta-nos tolerância e até a humildade de aceitar que o outro pode estar agindo, sendo ou pensando de forma mais adequada do que a nossa.

No mundo do trabalho acontece da mesma forma: temos que criar uma Lei, uma sigla e programas especiais para incluir pessoas com dificuldades físicas, emocionais ou intelectuais, simplesmente porque não aceitamos com naturalidade o fato de que – seja com que “deficiência” for, elas merecem as mesmas oportunidades do que qualquer um de nós. Aliás, escrevo o termo deficiência entre (muitas) aspas porque ele por si só não garante a análise. Quem garante que o avaliado seja pior ou melhor do que quem avalia?

Será que não se trata de fazer o caminho contrário? Entender, sem pré julgamento, quais são as competências que essa pessoa possui e encaixá-las naturalmente num posto de trabalho que absorva o que ela tem para oferecer. Haverá necessidade de adaptar ambientes e comportamentos. Sem dúvida alguma. Mas é esse desejo de perseguir o melhor acolhimento, que nos torna mais e mais iguais. E mais humanos.

E se as dificuldades forem intransponíveis, de verdade?

  1. Então superaremos ainda mais a nossa capacidade de acolher dignamente a todos e criaremos as melhores condições – aí sim especiais – de acomodar em nossa sociedade com dignidade e qualidade de vida, todos aqueles que não puderem interagir em nenhum nível. Mas só depois de esgotarmos todas as possibilidades.

Incluir de verdade, em nossos corações e mentes, dá muito mais trabalho do que criar um Projeto ou um Programa. É uma opção de vida à qual nenhum de nós pode se furtar, sob pena de sermos menos humanos do que parecemos.

 

Hudson Carvalho é Consultor em Estratégia de Gestão de Pessoas, Diretor Regional da WISDOM – Gestão Organizacional (Desenvolvemos Pessoas e Processos) para o ABCD e Baixada Santista e Diretor Executivo da ELABORE-ONLINE – Pessoas e Resultados.

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