terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Indefinição no traçado da Fiol

A atual indefinição do Governo Federal sobre o traçado da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), debatida no fórum Tocantins Export nessa sexta-feira, em Palmas (TO), lança uma sombra de incerteza sobre os planos de desenvolvimento logístico do estado. A proposta de desviar a conexão de Figueirópolis (TO) para Mara Rosa, em Goiás, levanta questionamentos pertinentes sobre os impactos econômicos e a potencial perda de oportunidades para o Tocantins, especialmente no que concerne ao escoamento de sua produção mineral.

A preocupação manifestada pela gerente jurídica da Companhia Docas do Pará (CDP) e presidente do conselho do Tocantins Export, Fernanda Araújo, ecoa o receio de que a mudança no traçado possa prejudicar significativamente o desenvolvimento econômico do estado e a cadeia logística ali estabelecida. Considerando o projeto original, a ferrovia passará perto da área de reservas minerais do sudeste do Tocantins, o que é visto como um fator crucial para fortalecer a Ferrovia Norte-Sul (à qual a Fiol estará ligada) e viabilizar economicamente o transporte desses minérios. O desvio para Goiás, por outro lado, pode acarretar aumento de custos com transbordo e deslocamento, tornando a exploração e o transporte menos competitivos.

A crítica do presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), Sérgio Aquino, ao planejamento de infraestrutura no Brasil, especialmente à possibilidade de se alterar o traçado da Fiol, ressaltou a falta de uma visão de longo prazo e a instabilidade decorrente de mudanças governamentais. A experiência demonstra que adequações em projetos em andamento frequentemente levam a atrasos e aumento de custos, em vez de soluções eficientes, destacou.

Diante desse cenário, torna-se fundamental que o Governo Federal defina o traçado da Fiol com brevidade, levando em consideração as vantagens logísticas de ambas as opções. Uma análise aprofundada dos custos, dos benefícios e dos impactos a longo prazo para os estados envolvidos é imprescindível. A decisão não pode ser tomada de forma isolada, sem considerar o potencial de geração de carga e os investimentos já realizados ou planejados para o Tocantins, especialmente no setor mineral, que o próprio governo estadual busca impulsionar. A definição do traçado da Fiol deve priorizar o desenvolvimento regional equilibrado e a otimização da infraestrutura logística nacional, evitando decisões que possam onerar desnecessariamente um estado em detrimento de outro, sem um ganho logístico compensatório para o País como um todo.

 

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