Infraestrutura, a chave para o sucesso da safra recorde
O Brasil caminha para mais uma safra recorde de grãos, com uma projeção de 325,7 milhões de toneladas em 2024/25, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O aumento de 9,4% em relação ao ciclo anterior é um reflexo do crescimento da área plantada e da recuperação da produtividade, impulsionada por fatores climáticos favoráveis e avanços tecnológicos no campo.
Entretanto, essa boa notícia para o agronegócio esbarra em um problema crônico que pode comprometer os ganhos: a fragilidade da infraestrutura logística para o escoamento da produção. As rodovias, ferrovias e portos do País, essenciais para levar os grãos das regiões produtoras aos mercados consumidores e de exportação, continuam sobrecarregados e, em alguns casos, sucateados. O gargalo logístico não é um problema novo, mas se torna ainda mais preocupante diante do crescimento expressivo da produção.
O setor agropecuário é um dos pilares da economia brasileira, e sua competitividade no mercado internacional depende de um escoamento eficiente. No entanto, o que se vê, em algumas regiões, são rodovias em más condições, trechos ferroviários subutilizados e portos congestionados, resultando em atrasos, custos elevados de transporte e perda de qualidade dos produtos. Essa deficiência estrutural afeta diretamente a balança comercial, que já vem sentindo o impacto da queda nas exportações de soja e milho, com retrações de 70,1% e 29,9%, respectivamente, em janeiro deste ano.
O cenário exige do Governo Federal e dos estados um compromisso firme com investimentos robustos na melhoria da infraestrutura logística. Projetos de ampliação e modernização de ferrovias, como a Ferrogrão e a integração da Ferrovia Norte-Sul, precisam sair do papel. Da mesma forma, a manutenção e duplicação de rodovias estratégicas, como a BR-163, que liga o Centro-Oeste aos portos do Norte, devem ser tratadas como prioridade absoluta.
Além disso, alguns portos precisam de modernização para aumentar a eficiência no embarque das cargas, reduzindo filas e custos. O avanço das concessões privadas no setor é positivo, mas deve ser acompanhado de políticas públicas que garantam um planejamento integrado e sustentável.
A produção de alimentos é um dos maiores trunfos do Brasil no cenário global. No entanto, de pouco adianta uma safra recorde se a infraestrutura não acompanhar esse crescimento. O País precisa transformar seu potencial agrícola em competitividade real, garantindo que os ganhos da produção sejam convertidos em desenvolvimento econômico e social.
O escoamento eficiente da safra não é apenas uma demanda do agronegócio, mas uma necessidade estratégica para o País. O Governo tem nas mãos a oportunidade – e a responsabilidade – de mudar essa realidade. Chegou a hora de tirar a logística agrícola do atoleiro e pavimentar o caminho para um futuro mais próspero.