terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Infraestrutura e futuro sustentável

O InfraESG Talks, promovido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na Arena B3, em São Paulo, vem se consolidando como um espaço essencial para pensar o futuro da infraestrutura brasileira sob a ótica da sustentabilidade. O encontro mostrou mais uma vez que a agenda ESG, quando tratada de forma prática e cooperativa, pode se traduzir em políticas públicas, investimentos e projetos que transformam o setor de transportes.

Em sua terceira edição, o evento reuniu representantes do governo, do mercado e da sociedade civil para discutir três eixos que se complementam: regulação, inovação e integração logística. O diálogo entre instituições e empresas revelou uma convicção comum: a sustentabilidade não é mais um apêndice do planejamento, mas parte central da concepção das obras e operações que movem o país.

O Termo de Parceria do Corredor Logístico Sustentável do Paraná, assinado durante o evento, é um exemplo concreto dessa mudança. Ao unir ANTT, Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Portos do Paraná e o Grupo EPR em torno de um projeto piloto voltado à descarbonização e à eficiência logística, o acordo demonstra que a articulação institucional pode gerar resultados efetivos. A ideia de integrar modais e reduzir impactos ambientais deixa de ser apenas um conceito e passa a orientar decisões estratégicas.

Outro tema de destaque foi a Taxonomia Sustentável Brasileira, que deverá estabelecer parâmetros claros para identificar e financiar atividades econômicas alinhadas às metas ambientais. Ao definir o que é, de fato, um investimento sustentável, a taxonomia ajudará a canalizar recursos para projetos que promovam transição energética, resiliência e inovação. Trata-se de um passo decisivo para transformar a sustentabilidade em critério técnico e econômico, e não apenas discursivo.

As discussões também apontaram para a COP30, que será realizada em Belém, como uma oportunidade única para o Brasil reafirmar seu papel de liderança global na pauta climática. O setor de transportes, responsável por grande parcela das emissões, terá de mostrar como pretende contribuir para a redução de impactos e para o avanço da economia verde.

O que se viu no InfraESG Talks foi uma disposição genuína de romper com o distanciamento entre o discurso e a prática. A regulação eficiente, a inovação tecnológica e a integração de modais são pilares que podem sustentar uma nova fase da infraestrutura nacional, mais moderna, conectada e responsável.

Cabe agora transformar o impulso gerado no encontro em ações capazes de reconfigurar a lógica dos investimentos e da gestão pública. A sustentabilidade, quando tratada como valor permanente e não como tendência, é o que garantirá ao Brasil um papel de protagonista na construção de um futuro mais equilibrado, econômica, social e ambientalmente.

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