terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Inovação como peça-chave do setor de infraestrutura

O fórum Pernambuco Export 2026, realizado nessa quinta-feira, dia 5, em Recife (PE), trouxe à tona uma verdade incontestável: a infraestrutura brasileira não pode mais ser pensada apenas como cimento, aço e asfalto. Em um cenário de transição energética global e cobranças por descarbonização, investir em inovação deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência estratégica. Para que o Brasil se consolide como uma potência logística moderna, o setor de infraestrutura deve abraçar a tecnologia não apenas como ferramenta, mas como a própria base de sua expansão.

A importância de se investir em inovação no mercado de infraestrutura reside na capacidade de transformar gargalos históricos em vetores de sustentabilidade. O exemplo do Complexo Industrial Portuário de Suape (PE) é emblemático: ao apostar na produção de metanol verde e na eletrificação de terminais, o porto pernambucano não apenas reduz sua pegada de carbono, mas prepara-se para atender à nova frota da navegação marítima mundial, que busca alternativas ao poluente óleo combustível. Inovar, neste contexto, significa garantir que os portos brasileiros não se tornem obsoletos diante das exigências internacionais de “logística verde”.

No entanto, a inovação tecnológica é inócua sem o pilar humano. Como bem destacou Oziel Alves, do Senai Pernambuco, o desenvolvimento de novas cadeias industriais — como a de baterias de lítio e a do hidrogênio verde — exige uma “massa crítica intelectual”. O apoio governamental e privado a centros de excelência e escolas de formação, como a iniciativa pioneira da Neoenergia na capacitação de eletricistas (incluindo a necessária inclusão feminina em setores técnicos), é o que garante que a tecnologia seja operada com eficiência. Investir em inovação é, essencialmente, investir em pessoas e em ambientes de experimentação onde a indústria possa testar, errar e, finalmente, liderar.

A contundência dessa mudança de mentalidade já chega aos marcos regulatórios. A explicação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), de que os novos contratos de concessão ferroviários e rodoviários incluem a obrigação de se destinar recursos à inovação e sustentabilidade, é um divisor de águas. Trata-se de institucionalizar o progresso. Garantir que parte da receita das concessões retorne ao sistema na forma de pesquisa e desenvolvimento (P&D) protege o setor contra a estagnação e, ainda, assegura que as ferrovias e rodovias de amanhã sejam mais seguras, inteligentes e menos impactantes ao meio ambiente.

É essencial que Governo e iniciativa privada, como um todo, entendam que o custo da inovação é infinitamente menor do que o preço do atraso. O Brasil possui o ecossistema ideal — de universidades a complexos industriais como o de Suape — para liderar a transição energética nos transportes. O que se exige agora é a coragem de manter o fluxo de investimentos e a agilidade nas parcerias que permitam ao País exportar não apenas commodities, mas tecnologia e eficiência logística. O futuro da infraestrutura brasileira está sendo escrito agora, nos laboratórios e centros de controle, e aqueles que ignorarem a urgência da inovação ficarão ancorados no passado.

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