terça-feira, 06 de outubro de 2026
Dolar Com.
Euro Com.
Libra Com.
Yuan Com.
Opinião

Artigos

Bruno Galoti Orlandi

Clique para ver mais

Articulista

Investir hoje para construir as oportunidades das próximas décadas

O Brasil precisa acelerar uma agenda consistente de investimentos em infraestrutura logística. O fortalecimento da competitividade nacional passa pela ampliação da capacidade operacional dos portos, pela modernização dos acessos rodoviários e ferroviários, pelo aprofundamento dos canais de navegação e pela expansão da infraestrutura capaz de tornar toda a cadeia logística mais eficiente.

Ao longo da história, o desenvolvimento das grandes cidades e dos principais polos econômicos sempre esteve diretamente ligado à capacidade de investir em infraestrutura. As transformações que mudaram a dinâmica do comércio, da mobilidade e da competitividade de países inteiros raramente aconteceram por acaso. Elas foram precedidas por decisões estratégicas, muitas vezes ousadas, que exigiram planejamento, investimentos robustos e, sobretudo, visão de longo prazo. Não por coincidência, ao observarmos os maiores centros logísticos do mundo, encontramos uma característica em comum: todos compreenderam que infraestrutura não é apenas um meio para acompanhar o crescimento, mas uma condição indispensável para torná-lo possível.

Os exemplos são numerosos. A expansão do Canal do Panamá alterou a geografia do comércio marítimo internacional ao permitir a passagem de uma nova geração de navios. Em Roterdã, a construção da Maasvlakte 2 ampliou significativamente a capacidade do maior porto da Europa e consolidou sua posição como uma das principais portas de entrada do continente. A Ponte Øresund, ligando Dinamarca e Suécia, fez muito mais do que unir dois países: integrou mercados, fortaleceu economias e transformou duas cidades em uma única região metropolitana. Já Singapura conduz a implantação do Porto de Tuas, um dos maiores projetos portuários da atualidade, concebido para atender às demandas das próximas décadas e manter sua posição entre os maiores hubs logísticos do planeta.

Embora diferentes entre si, todos esses projetos compartilham um mesmo princípio: não foram concebidos apenas para resolver problemas imediatos. Cada um deles representou uma decisão estratégica de preparar seus territórios para um novo ciclo de desenvolvimento. Grandes obras de infraestrutura não são construídas apenas para atender às necessidades do presente. Elas criam as condições necessárias para que o crescimento continue acontecendo no futuro.

Essa mesma lógica pode, e deve, orientar o Brasil. Em um cenário de expansão do comércio exterior, aumento da movimentação de cargas e crescente integração às cadeias globais de produção, investir em infraestrutura deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade estratégica. A competitividade de um país não depende apenas da eficiência de seus portos, aeroportos, rodovias ou ferrovias de forma isolada, mas da capacidade de integrar todos esses elementos em um sistema logístico moderno, eficiente e preparado para acompanhar a evolução da economia.

É justamente nesse contexto que o Brasil precisa acelerar uma agenda consistente de investimentos em infraestrutura logística. O fortalecimento da competitividade nacional passa pela ampliação da capacidade operacional dos portos, pela modernização dos acessos rodoviários e ferroviários, pelo aprofundamento dos canais de navegação e pela expansão da infraestrutura capaz de tornar toda a cadeia logística mais eficiente. Não se trata de investir em uma única obra, mas de construir um sistema integrado, preparado para responder ao crescimento da movimentação de cargas e às exigências do comércio internacional.

No Porto de Santos, esse desafio se traduz em uma série de projetos estruturantes. A nova entrada do Porto de Santos, o viaduto de acesso ao bairro da Alemoa, a nova ligação entre o Planalto e a Baixada Santista, a implantação da pera ferroviária, o aprofundamento do canal de navegação, a ampliação dos berços de atracação e os novos investimentos nos terminais portuários representam intervenções que eliminam gargalos históricos, ampliam a capacidade operacional e criam as condições necessárias para que o porto continue crescendo de forma sustentável e competitiva.

Os impactos dessas obras vão muito além da engenharia. A melhoria dos acessos rodoviários reduz o tempo de deslocamento das cargas. A expansão da capacidade ferroviária fortalece a integração com o interior do país. O aprofundamento do canal e a ampliação dos berços de atracação permitem receber embarcações de maior porte e reduzir o tempo de espera para atracação. Em conjunto, esses investimentos aumentam a eficiência logística, fortalecem a competitividade do Porto de Santos e ampliam sua capacidade de responder ao crescimento do comércio exterior brasileiro.

O debate sobre infraestrutura, portanto, deve ir além da análise de uma obra específica. Trata-se de refletir sobre o modelo de desenvolvimento que desejamos construir para o país. As nações que hoje lideram a logística mundial fizeram escolhas importantes muito antes de colher seus resultados. Apostaram em planejamento, anteciparam demandas e compreenderam que grandes transformações exigem grandes projetos. O Brasil reúne todas as condições para seguir esse caminho, desde que mantenha uma agenda contínua de investimentos capaz de preparar sua infraestrutura para as oportunidades das próximas décadas.

Bruno Galoti Orlandi escreve quinzenalmente para o BE News, com seus textos publicados às segundas-feiras.

Compartilhe:
TAGS

Leia também