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Editorial

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Le Havre e as lições para o Brasil

A visita da Missão França 2025 ao Porto de Le Havre, promovida pelo Fórum Brasil Export, oferece ao setor portuário brasileiro um rico material de reflexão. O principal porto de contêineres da França vem demonstrando como é possível alinhar crescimento logístico e sustentabilidade, uma equação que o Brasil precisa resolver de forma urgente.

A estratégia francesa de ampliar o uso do transporte hidroviário merece atenção especial. A construção do novo canal para barcaças, com inauguração prevista para 2027, é um exemplo concreto de como priorizar um modal menos poluente e mais eficiente. No Brasil, onde a matriz de transporte ainda é excessivamente dependente do modal rodoviário, a aposta no potencial hidroviário pode reduzir custos logísticos, emissões e acidentes.

Outro ponto que chama a atenção é o compromisso de Le Havre com a descarbonização. A eletrificação de berços de atracação, que permitirá aos navios desligarem os motores quando atracados, e o investimento em usinas de hidrogênio verde ao longo do Rio Sena são medidas que colocam o porto no centro da transição energética europeia.

Para o Brasil, que detém uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, iniciativas semelhantes poderiam consolidar sua vantagem competitiva, atraindo operadores e investidores comprometidos com metas ambientais.

O retorno ao porto francês, 20 anos após a primeira visita técnica do Brasil Export, permite também constatar a importância de planejamento de longo prazo. Projetos que eram apenas maquetes em 2005 hoje são realidade, e outros, como o canal para barcaças, já têm data para serem entregues. É uma lição sobre continuidade administrativa e visão estratégica, valores ainda desafiadores no contexto brasileiro.

A Missão França 2025 cumpre, assim, seu papel de aproximar o setor portuário nacional das melhores práticas globais. Cabe agora aos formuladores de políticas e aos operadores brasileiros transformar essas referências em projetos concretos, capazes de reposicionar o país como um protagonista na logística internacional, com competitividade, eficiência e respeito ao meio ambiente.

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