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Beatrice de Toledo Dupuy

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Liderança e diversidade: o ESG com sotaque feminino

A diversidade deixou de ser um tema periférico para se tornar um diferencial competitivo e um imperativo de futuro. Em um setor historicamente masculino, a inclusão das mulheres rompe paradigmas e introduz novas formas de pensar, decidir e agir. Elas trazem para o centro da gestão portuária um olhar sensível sobre o impacto social e ambiental das operações, sem abrir mão da eficiência e da inovação.

Dar voz e protagonismo às mulheres é uma construção coletiva. O avanço da equidade depende também da participação ativa da liderança masculina, que pode abrir espaços, reconhecer talentos, incentivar o diálogo e apoiar a ascensão de profissionais diversas.

Por muito tempo, a sustentabilidade foi tratada como uma pauta técnica, restrita a relatórios, metas e indicadores. Hoje, o mundo entende que ela é, acima de tudo, uma pauta humana e, portanto, uma questão de liderança. É nesse contexto que a presença feminina no setor portuário e logístico vem ganhando relevância, porque liderar com empatia, escuta e propósito é uma das expressões mais autênticas do “S” e do “G” do ESG.

A diversidade deixou de ser um tema periférico para se tornar um diferencial competitivo e um imperativo de futuro. Em um setor historicamente masculino, a inclusão das mulheres rompe paradigmas e introduz novas formas de pensar, decidir e agir. Elas trazem para o centro da gestão portuária um olhar sensível sobre o impacto social e ambiental das operações, sem abrir mão da eficiência e da inovação. Quando ocupam espaços de decisão, a cultura organizacional se transforma: processos se tornam mais colaborativos, equipes mais engajadas e soluções mais criativas.

Segundo levantamento da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), as mulheres representam hoje cerca de 17,8% da força de trabalho no setor portuário brasileiro e 15% dos cargos de dirigente. Embora ainda distantes da equidade, esses  números vêm crescendo ano a ano, impulsionados por políticas corporativas de diversidade e programas de capacitação voltados à formação de lideranças femininas. Em portos como Santos, Itaqui, Vila do Conde e Imbituba, já é possível ver mulheres à frente de operações, comandando equipes, conduzindo projetos ambientais e participando ativamente de decisões estratégicas.

A transformação que o ESG propõe exige coragem para rever práticas e mentalidades. Essa coragem tem muito do que se chama de liderança feminina: a capacidade de equilibrar firmeza e empatia, de construir pontes e enxergar valor nas pessoas. No ambiente portuário, essa forma de liderar tem inspirado novas gerações e redefinido o que significa gerar impacto positivo. Liderar é também cuidar, abrir espaço e compartilhar protagonismo.

Na Santos Brasil, essa mudança é visível e permanente. O workshop 100% feminino O Porto é Delas, criado para valorizar e ampliar a presença feminina no setor, é um exemplo de como a inclusão pode ser um motor de inovação e transformação cultural. Desde sua criação, a iniciativa já reuniu mais de 200 profissionais do setor portuário e logístico, promovendo conexões, mentorias e debates sobre carreira, tecnologia e inovação. Mais do que um encontro, O Porto é Delas se tornou uma rede de inspiração e aprendizado entre mulheres que atuam em diferentes áreas, das operações à sustentabilidade, da tecnologia à gestão. Quando histórias de superação e sucesso são compartilhadas entre guindastes, planilhas e navios, o ESG ganha voz, rosto e propósito.

Mas dar voz e protagonismo às mulheres é uma construção coletiva. O avanço da equidade depende também da participação ativa da liderança masculina, que pode abrir espaços, reconhecer talentos, incentivar o diálogo e apoiar a ascensão de profissionais diversas. Líderes homens têm papel fundamental como aliados e multiplicadores, ajudando a transformar estruturas que ainda reproduzem desigualdades. Promover a escuta ativa, valorizar o mérito e questionar estereótipos são atitudes simples, mas poderosas, que fortalecem a diversidade de gênero como um valor organizacional. A verdadeira inclusão nasce quando todos se comprometem com ela.

O avanço da sustentabilidade no setor portuário depende de diversidade de ideias, experiências e trajetórias. Isso significa garantir oportunidades equitativas de crescimento e criar ambientes onde a diferença seja reconhecida como fonte de força e não de exclusão. Significa entender que a descarbonização, a eficiência energética e a inovação tecnológica caminham lado a lado com a construção de uma cultura de respeito, empatia e colaboração. Um porto sustentável não é apenas aquele que reduz emissões, mas o que acolhe e impulsiona pessoas.

O protagonismo feminino também tem papel decisivo na construção de uma governança mais sólida. Mulheres em posições de liderança tendem a priorizar transparência, diálogo e ética nas relações, pilares essenciais para a credibilidade das empresas perante investidores, governos e comunidades. Elas traduzem o ESG em escolhas cotidianas que equilibram resultados econômicos com responsabilidade ambiental e sensibilidade social.

O futuro do setor portuário será mais sustentável à medida que for também mais diverso. Os desafios da transição energética, da digitalização e da descarbonização exigem mentes plurais e lideranças capazes de integrar visão estratégica com consciência humana. E é justamente essa combinação que as mulheres têm trazido: racionalidade aliada à intuição, técnica somada à escuta e resultado com visão.

Quando se fala em sustentabilidade, fala-se também de legado. O maior deles é formar novas lideranças capazes de pensar diferente e agir com propósito. O ESG não é apenas uma agenda de metas, é uma forma de estar no mundo. Dar protagonismo às mulheres é abrir caminho para uma liderança mais empática e inovadora, que transforma empresas e comunidades.

Às vésperas da COP30, que colocará o Brasil no centro das discussões globais sobre clima e transição energética, essa forma de liderar mostra que o futuro sustentável que queremos construir também fala com voz feminina.

Liderar com sotaque feminino é fazer do ESG mais do que uma sigla. É transformá-lo em uma prática viva, em um jeito de ver o mundo e de conduzir equipes, decisões e histórias. É entender que sustentabilidade e diversidade caminham juntas e que, no fim, o verdadeiro progresso acontece quando todas as vozes são ouvidas.

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