terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Mineração em crescimento

O faturamento da indústria mineral brasileira atingiu a marca histórica de R$ 298,8 bilhões no ano passado, um crescimento de 10% que reafirma o setor como pilar da economia nacional. Segundo o Boletim Econômico da AMIG Brasil, esse desempenho impulsionou a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) para R$ 7,9 bilhões, beneficiando diretamente 2.840 municípios. Minas Gerais (R$ 119 bilhões) e Pará (R$ 103 bilhões) seguem como os protagonistas absolutos, concentrando juntas 74% da receita do setor. 

A liderança corporativa permanece com a Vale S.A., que detém 37% do faturamento total, seguida por sua subsidiária Salobo Metais (7%), reforçando a hegemonia das grandes mineradoras no mercado brasileiro.

Embora o minério de ferro continue sendo o principal produto da pauta, com R$ 152,2 bilhões em receita, o ano de 2025 foi marcado pela ascensão meteórica dos metais estratégicos. O ouro (R$ 39 bilhões) e o cobre (R$ 30 bilhões) registraram crescimentos impressionantes de 65% e 50%, respectivamente. Esse movimento reflete a busca global pelo ouro como ativo de proteção e a explosão na demanda por cobre, essencial para a infraestrutura da transição energética e a fabricação de veículos elétricos. Essa diversificação da pauta é crucial para a resiliência do setor, especialmente diante da queda nos preços internacionais do ferro, que viu seu valor de exportação recuar 3% mesmo com um aumento de 7% no volume físico embarcado (416 milhões de toneladas).

No campo social e externo, a mineração demonstrou sua força ao exportar US$ 35,81 bilhões (excluindo petróleo), o que representa 10% de todas as vendas do Brasil para o exterior. Esse vigor econômico traduziu-se em geração de valor real para a população: o setor criou mais de 9,5 mil novos postos de trabalho formais em 2025, elevando o estoque total para 291 mil empregos diretos.

Com a mineração extrativa respondendo por quase um quarto das exportações totais do País quando incluído o petróleo, o Brasil consolida sua posição como player indispensável na cadeia global de suprimentos, equilibrando a exploração de commodities tradicionais com o avanço em minerais críticos para o futuro sustentável. Esse cenário também deixa evidente a necessidade de poder público e iniciativa privada otimizarem a infraestrutura de escoamento dessa produção, inclusive dessas exportações, de modo que o artigo nacional não perca competitividade.

Os números de 2025 reforçam o valor da mineração brasileira, mas essa maior demanda deve ser acompanhada pelos investimentos necessários a fim de manter a sustentabilidade, principalmente financeira, desta atividade. 

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