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Hudson Carvalho

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Não deixe o velho entrar!

“Um homem deve conhecer as suas limitações.”

Clint Eastwood, 95 anos, segue vivo, trabalhando e sem reconhecer suas limitações.

 

Quatro estatuetas. Quatro “Oscar”, como diretor e produtor. Esse é Clint Eastwood, que você conhece das telonas e das telinhas.

Certa vez, questionado por seu amigo, o cantor e compositor country Toby Keith, sobre qual era a sua motivação para levantar da cama todos os dias e seguir produzindo, respondeu: “Eu não deixo o velho entrar”. E – por diversas vezes – repete: “Eu me mantenho ocupado”.

Se você for um “enta” (quarenta, cinquenta, sessenta, …) já deve ter sentido, como eu, vontade de ficar na cama até mais tarde, de fazer menos atividade física, de deixar de aprender coisas novas, de trabalhar menos. Cuidado: É por essas portas que o velho entra. O velho-você. O velho que Clint não permite que entre em sua rotina.

Ainda pegando carona com Eastwood, quem não lembra de Cowboys do Espaço, onde um grupo de três ex-pilotos de testes – a Equipe Dedalus – salva o dia, retornando com sucesso de uma missão difícil e arriscada ao espaço a bordo de um ônibus espacial da Nasa. Sim, havia outros astronautas, jovens e bem treinados, na mesma nave, mas foi a experiência e a atitude dos três seniores que resolveram o problema.

Ora, quanto mais o tempo passa, mais a Medicina avança, mais vivemos. Então é natural que pensemos também em trabalhar mais, não?!

Verdade, mas não haverá lugar para quem não tiver condições físicas, intelectuais e emocionais de manter-se ativo.

Não se preocupe, não é revolução, é evolução. Trata-se de entender como o que sabemos, experimentamos e vivemos, pode ser colocado a serviço das situações atuais que necessitam de nossa intervenção.

Bem situados nessa linha de partida, conseguimos seguir aprendendo o que de novo vem acontecendo, criar novas vivências e gerar um arsenal continuamente renovado de “sabedoria” que conseguimos oferecer ao mercado.

Trata-se de atitude, mais do que tudo. Conheço um advogado, portador de E.L.A. – esclerose lateral amiotrófica – que comanda seu escritório apenas com o movimento dos olhos, que acionam um computador adaptado. Se alguém com essa limitação consegue esse resultado, nós conseguimos também. Atitude.

Ainda que as limitações (ou a vontade correspondente de superá-las) não sejam tão severas, o mercado apresenta um número cada vez maior de oportunidades para quem deseja permanecer ativo, haja vista a quantidade de vagas em conselhos de administração, consultorias, atividades de mentoria e por aí vai.

Mesmo em posições que exigem menor qualificação profissional, as oportunidades aparecem. Um exemplo apenas que você deve ter observado, como eu: a quantidade de lojas e redes de supermercados que incluem seniores em sua frente de atendimento. Por quê? Porque possuem habilidades de relacionamento que cativam os clientes, fazendo com que voltem. 

É inegável que os seniores têm uma percepção mais fina a respeito de como enfrentar situações e pessoas difíceis, afinal já as vivenciaram mais de uma vez no passado.

As novidades da tecnologia têm sido um campo de oportunidades para os seniores. Estranho? Nada disso! Vários estudos têm mostrado que profissionais com mais idade e que possuem vocabulário mais amplo (porque leram mais), aliado a sua capacidade de fazer as perguntas certas, potencializam o uso da Inteligência Artificial. A jóia da coroa da tecnologia tem lugar para os seniores também.

Outra possibilidade que não pode ser desperdiçada é a interação com as outras gerações, e tudo que pode ser aprendido e ensinado com isso. Se você tem filhos, principalmente se tiver netos, já deve ter passado pela experiência de muitos, que resolvem suas dificuldades com o celular e com o computador com a ajuda dessa turma. Por outro lado, quantas e quantas vezes já foi procurado por eles para um conselho, uma ajuda financeira, talvez. Exemplos corriqueiros do potencial e dos benefícios que esse “trabalho” conjunto pode gerar.

Não quero ser repetitivo, mas frisar o ponto importante dessa reflexão. Para continuar intelectualmente vivo e produtivo, é preciso ter a atitude correta.

Não somos melhores (nem piores) do que ninguém, mas queremos caminhar juntos, com qualidade, até quando for possível. Vamos?

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