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Clara Laface

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Netwaving e a construção de relações profissionais mais genuínas

O networking é uma das soft skills mais valorizadas dos últimos anos. Já falei neste espaço sobre como construir uma rede de relacionamentos com estratégia e intenção. Mas muitos ainda têm resistência de colocar em prática. Acreditam que serão lidos como interesseiros. Sim, muitos realmente levam o networking visando somente interesses pessoais, mas essa não é a essência. E se eu disser que existe um outro conceito que foca mais no outro do que em si próprio? Estou falando do netweaving.

O termo surgiu no início dos anos 2000 e foi associado ao consultor norte-americano Robert S. Littell, autor do livro The Heart and Art of NetWeaving: Building Meaningful Relationships One Connection At a Time, publicado em 2003. A própria formação da palavra já carrega o sentido da proposta: “net”, de rede, e “weaving”, de tecer. Não se trata apenas de reunir contatos, mas de tecer relações com cuidado e continuidade.

Littell propõe uma abordagem mais focada na generosidade, na escuta ativa e na reciprocidade. E o mais importante: ele não tem a intenção de eliminar o networking. Ele quer reposicionar essa prática para que ela vise mais ao relacionamento genuíno do que à busca somente por benefícios próprios. Acredita que a construção de relações genuínas e sólidas é o fundamento para relações profissionais consistentes e para uma mudança na maneira de pensar e fazer negócios.

Para quem ainda tem como máxima “qual vantagem eu vou obter?”, não há muito espaço para a prática do netweaving. Nesse novo olhar sobre como construir relações, o principal é: “como posso ser útil nessa relação?”. Partindo dessa perspectiva, você desloca o centro do “eu” e passa a operar como “nós”. E aqui entram uma série de fatores que podem ajudar a, digamos, navegar pelos ambientes, como conhecimento sobre suas capacidades e sobre quais soluções a sua empresa ou expertise pode oferecer ao outro. E tudo isso sem visar a uma possível vantagem financeira ou relacional imediata.

É importante destacar que a humanização não vai de encontro à ambição de querer alavancar a empresa ou o cargo que ocupa. Você pode e, com toda certeza, terá mais oportunidades na sua vida e nos negócios. Qualquer relação se sustenta na base da confiança, não pelo interesse por interesse. E essa confiança é percebida na maneira como alguém escuta, compartilha informações e conhecimentos, tem interesse pela história de vida do outro e não transforma cada contato em performance para mostrar nas redes sociais.

Algumas atitudes são muito simples para começar a colocar essa habilidade comportamental em prática. Identificou duas pessoas da sua relação pessoal que possuem sinergia de valores? Apresente-as no próximo encontro ou marque um almoço com ambas. Traga um conteúdo para as suas redes sociais não pensando somente se ele vai viralizar ou angariar mais clientes; pense em como ele pode ajudar alguém — e, nas redes sociais, essa ajuda é amplificada em níveis inimagináveis. Alguém da sua equipe está passando por um problema pessoal? Ofereça ajuda ou saiam para tomar um café e dê espaço para essa pessoa ver que tem ali um ponto de apoio.

Esses são só alguns exemplos de como pequenas atitudes transformam a maneira como você passa a operar e enxergar as relações. É nessas ações cotidianas que a confiança e a credibilidade são construídas, e não somente em uma grande entrega.

É justamente por isso que o conceito dialoga tão bem com liderança. A autoridade formal já não basta para sustentar influência duradoura. Líderes são observados não apenas pelo que entregam, mas pela forma como fazem os outros se sentirem, se desenvolverem e se conectarem. Quando um líder atua como alguém que aproxima pessoas, compartilha oportunidades e fortalece a rede ao redor, ele passa a ser percebido como um catalisador de crescimento.

O mesmo raciocínio vale para profissionais que não estão em cargos de liderança. Cada decisão e interação sua constrói, na mente do outro, uma percepção. Essa percepção sobre a sua singularidade representa a expressão da sua marca pessoal. Nesse sentido, o netweaving funciona como uma prática de posicionamento, porque transforma a maneira como uma pessoa é percebida pela rede: não apenas como alguém competente, mas como alguém confiável, generoso e coerente.

O aspecto mais interessante do netweaving é justamente sua humanidade. Em um cenário em que a pressa incentiva relações utilitárias e a lógica da performance invade quase tudo, o conceito resgata a ideia de que o vínculo também é um ativo profissional. Não como ferramenta de manipulação, mas como espaço de troca. O valor de uma rede está na qualidade da confiança que circula entre elas.

Falar de netweaving é falar de uma mudança de cultura. É reconhecer que crescimento profissional não precisa ser construído à custa do outro, mas pode surgir junto com o fortalecimento do outro. É entender que relações saudáveis produzem oportunidades mais consistentes do que conexões apressadas. De que maneira o seu posicionamento melhora a vida, o trabalho ou o caminho de quem cruza com você? A partir dessa resposta, talvez fique mais claro que construir uma rede não é apenas sobre ampliar contatos, mas sobre a qualidade das relações que você ajuda a sustentar. 

 

Clara Laface escreve para o BE News semanalmente,
com seus artigos publicados sempre às terças-feiras.

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