terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Novos planos para o Tecon Santos 10

 

 

A confirmação feita pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, nessa terça-feira, dia 14, durante a feira Intermodal, em São Paulo (SP), sela o compromisso do Governo Federal com um modelo de licitação que prioriza a abertura de mercado para a disputa do Tecon Santos 10. Ao alinhar-se à diretriz da Casa Civil de não restringir a participação de armadores globais, como orientou o Tribunal de Contas da União (TCU), focando as limitações apenas em quem já detém arrendamentos de terminais públicos no Porto de Santos (SP), o Ministério toma uma decisão pragmática: o Brasil quer o capital e a carga do mundo, mas sem abrir mão da competitividade interna. 

 

A importância estratégica do Tecon Santos 10 é traduzida por sua magnitude: um investimento de R$ 6,4 bilhões para erguer o maior arrendamento portuário da história brasileira. Localizado no Cais do Saboó, o futuro megaterminal não é apenas uma obra de expansão; é a chave para ampliar em 50% a capacidade de movimentação de contêineres de Santos. Em um cenário onde o comércio global exige navios cada vez maiores e operações mais velozes, o Santos 10 é a resposta estrutural para que o Brasil não perca o bonde das grandes rotas marítimas por falta de berço e área de manobra.

 

Nessa nova modelagem, ao permitir que os donos de navios participem da disputa do terminal, o Governo garante que a instalação nasça com “carga garantida” e interesse direto de quem opera o fluxo global. É o modelo utilizado nos portos mais eficientes do mundo, como Roterdã e Singapura.

 

A expectativa do ministro Tomé Franca de realizar o leilão ainda neste ano reflete a pressa do setor produtivo. O Santos 10 é um projeto que o Brasil deve a si mesmo há mais de uma década. Cada mês de atraso na publicação do edital pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) é um mês em que o custo logístico brasileiro permanece mais alto do que o necessário. A infraestrutura não aceita desaforos, e o Porto de Santos está chegando ao limite de sua capacidade instalada.

 

O Santos 10 será o “batismo de fogo” da gestão de Tomé Franca e o maior teste de apetite do mercado internacional pelo Brasil este ano. Se o edital for publicado com a clareza jurídica prometida e o leilão ocorrer no próximo semestre, o País terá dado o passo mais importante das últimas décadas para consolidar Santos como o hub incontestável da América Latina. O momento é de transição da fala para a ação; o mercado está na Intermodal ouvindo, mas estará na B3 investindo se a segurança jurídica for a regra do jogo.

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