terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O agronegócio e a integração entre os modais de transporte

O primeiro dia do fórum Centro-Oeste Export 2025  – nessa quinta-feira, dia 26, em Rondonópolis (MT) – revelou uma preocupação premente para a competitividade da produção agrícola brasileira: a necessidade imperativa de aprimorar a integração entre os modais de transporte. Representantes do setor logístico, especialistas e autoridades convergiram na defesa de investimentos coordenados em rodovias, ferrovias e hidrovias, como a chave para superar os gargalos que atualmente afetam o escoamento da safra recorde do Centro-Oeste e a chegada de insumos vitais.

Edeon Vaz Ferreira, presidente do Movimento Pró-Logística de Mato Grosso, apresentou um diagnóstico preciso dos entraves. O alto custo do frete no Brasil, em comparação com países concorrentes, é um fator que corrói a lucratividade dos produtores. Os exemplos de custos por tonelada até os portos, que variam significativamente entre rodovia, ferrovia e hidrovia, ilustram a urgência de otimizar a matriz logística. A comparação com os Estados Unidos, onde a hidrovia domina o transporte de cargas, deixa claro o quanto a realidade brasileira precisa ser otimizada.

Os problemas nos corredores logísticos, como as longas filas de caminhões no Arco Norte devido a acessos viários não entregues, demonstram falhas que transcendem a mera capacidade das vias, adentrando o campo da gestão contratual e da fiscalização. A falta de armazéns e as falhas operacionais em sistemas ferroviários também contribuem para a ineficiência, forçando soluções improvisadas e dispendiosas.

Um fator crítico que ganha destaque é o agravamento das estiagens na Amazônia, que impacta diretamente a navegabilidade dos rios Tapajós e Madeira. A redução do nível dos rios, exigindo a diminuição da carga e até a suspensão temporária da navegação, expõe a vulnerabilidade da dependência de um único modal. A defesa de uma maior dragagem e da concessão do serviço hidroviário à iniciativa privada para respostas mais eficientes ecoa como uma necessidade iminente.

Apesar dos desafios, avanços são notados. O início das obras da ferrovia estadual entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde e, também, a construção da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) são exemplos de que o investimento em ferrovias está em curso. A expectativa de que o primeiro terminal da linha estadual seja inaugurado em breve reforça o otimismo.

A importância da intermodalidade para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste até os portos, e para a chegada de insumos como fertilizantes às áreas de produção, não pode ser subestimada. A interligação eficiente de rodovias, ferrovias e hidrovias é a espinha dorsal para garantir a competitividade do agronegócio brasileiro. A produção cresce exponencialmente, e os desafios logísticos acompanharão essa curva ascendente. Sem um planejamento integrado e obras efetivas que promovam a sinergia entre os diferentes modais, o Brasil continuará a perder parte de sua competitividade em um cenário global cada vez mais exigente.

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