terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O avanço da autoestrada azul

O balanço da cabotagem em 2025 consolida uma certeza: o Brasil finalmente começou a olhar para o mar com o pragmatismo que sua extensão litorânea exige. Ao movimentar 155,7 milhões de toneladas em seus portos — uma alta de 3,18% em relação ao ano anterior —, a Região Sudeste não apenas lidera o ranking nacional, mas se firma como o laboratório de sucesso de uma matriz de transportes mais equilibrada e inteligente. Defender o avanço da navegação entre portos brasileiros é, antes de tudo, defender uma logística que custe menos ao produtor e agrida menos o meio ambiente.

A importância estratégica deste crescimento, capitaneado por São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, reside na capacidade de retirar das rodovias saturadas cargas colossais de petróleo, minérios e contêineres. Quando o setor de petróleo atinge a marca de 118,4 milhões de toneladas transportadas por navios, estamos falando de segurança energética garantida por um modal que oferece maior capacidade de carga e menores índices de acidentes. A cabotagem é a “autoestrada azul” que conecta as refinarias e indústrias de base do Sudeste ao restante do País com uma eficiência que o asfalto, sozinho, jamais alcançaria.

Este desempenho não é fruto do acaso, mas da estabilidade regulatória. O amadurecimento do programa BR do Mar trouxe a segurança jurídica necessária para que armadores e investidores pudessem planejar rotas de longo prazo. Como bem pontuou o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, a previsibilidade é o combustível do investimento. Regras claras permitem que o Brasil deixe de ser um país dependente de um único modal para se tornar uma nação intermodal, onde o navio e o caminhão trabalham de forma integrada e complementar.

Além da eficiência econômica, a cabotagem no Sudeste cumpre um papel social vital. Ao sustentar a indústria de base com ferro, aço e celulose, o modal garante o abastecimento de bens essenciais e a manutenção de milhares de empregos. O fortalecimento desta rede logística é o que permite ao setor produtivo crescer com custos reduzidos, tornando o produto brasileiro mais competitivo tanto no mercado interno quanto nas exportações.

O Brasil precisa manter o leme firme nesta direção. O sucesso do Sudeste deve servir de espelho para a expansão da cabotagem em todo o território nacional. É imperativo que o Governo Federal continue investindo na modernização portuária e na simplificação burocrática, garantindo que a nossa costa seja aproveitada em todo o seu potencial. Navegar é preciso, e o Sudeste está provando que, com planejamento e segurança jurídica, o mar é o caminho mais curto para o desenvolvimento sustentável.

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