terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O BNDES e o superciclo de investimentos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) consolidou sua posição como o principal motor do que a diretoria da instituição classifica como um “superciclo de investimentos” na infraestrutura nacional. Durante seminário realizado nessa segunda-feira, dia 9, no Rio de Janeiro, o presidente da entidade, Aloizio Mercadante, revelou que o banco atingiu a marca de R$ 280 bilhões em aportes em 2025, com uma projeção ambiciosa de R$ 300 bilhões para este ano. Esses números, que representam cerca de 1,74% do PIB, sinalizam uma mudança de patamar no financiamento público, agora focado em reduzir o “Custo Brasil” e responder de forma direta aos desafios das mudanças climáticas.

A estratégia atual do banco rompe com modelos do passado ao priorizar o cofinanciamento com o setor privado e a redução de subsídios, focando na segurança jurídica proporcionada por mecanismos como o Secex Consenso do Tribunal de Contas da União (TCU). Essa nova governança permite que projetos estruturantes, antes travados por disputas judiciais, avancem com previsibilidade. No campo da sustentabilidade, o BNDES assumiu a liderança na eletrificação do transporte público, tornando-se o maior investidor em ônibus elétricos da América Latina, com destaque para a entrega de 2.500 veículos na cidade de São Paulo e um crescimento de 41% nos aportes em mobilidade urbana, que somam R$ 31 bilhões.

Outro destaque é que a integração entre as pastas federais e o BNDES garante que o fluxo de recursos para áreas críticas não sofra solução de continuidade. O Ministério das Cidades já confirmou a reserva de R$ 16 bilhões provenientes do FGTS para o próximo ano, divididos equitativamente entre mobilidade urbana e saneamento básico.

Essa robustez financeira é apontada como o eixo decisivo para a agenda de descarbonização e para a modernização da logística nacional. O superciclo de investimentos não apenas amplia a capacidade física do País, mas estabelece o BNDES como um banco verde de desenvolvimento, essencial para a estabilidade do clima e a competitividade industrial brasileira nas próximas décadas.

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