terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O caminho das águas não pode retroceder

A recente revogação do decreto federal que previa os estudos para a concessão das hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins é um movimento que, embora busque pacificar conflitos sociais imediatos, impõe um freio preocupante à modernização logística do Brasil. Ao ceder à pressão de protestos que culminaram em invasões de terminais privados, o Governo Federal evita o confronto direto, mas não pode se esquivar do debate central: o desenvolvimento da Amazônia e o escoamento da produção nacional dependem, inevitavelmente, do aproveitamento sustentável de seus rios.

A importância da implantação e concessão de hidrovias na região amazônica é uma questão de sobrevivência econômica e responsabilidade ambiental. Como bem pontuou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o trabalho da Secretaria de Hidrovias e os estudos técnicos devem permanecer. O Brasil não pode mais se dar ao luxo de ignorar o modal mais eficiente, barato e menos poluente de que dispõe. Transportar cargas por rios, em substituição a milhares de caminhões em rodovias precárias que rasgam a floresta, é a estratégia mais inteligente para reduzir o “Custo Brasil” e a pegada de carbono do agronegócio.

A contundência deste editorial reside no alerta de que manifestações, embora legítimas em sua essência democrática, não podem se tornar ferramentas de paralisia do progresso nacional. O direito ao protesto e a necessidade de consulta às comunidades tradicionais são pilares inegociáveis, mas devem ocorrer dentro dos ritos institucionais, e não por meio de ocupações ilegais de escritórios ou bloqueios operativos. O recuo estratégico do Governo, motivado pela segurança, deve ser sucedido por um esforço redobrado de diálogo e esclarecimento: a concessão não é a “privatização dos rios”, mas a garantia de sinalização, dragagem e segurança para quem navega.

O Arco Norte consolidou-se como a saída preferencial para a produção do Centro-Oeste. Sem hidrovias modernas e geridas com eficiência pela iniciativa privada, o Brasil continuará refém de uma logística cara e de uma infraestrutura que opera no limite. O Governo precisa ter a firmeza de avançar com os estudos técnicos, transformando o potencial hídrico da Amazônia em uma vantagem competitiva real.

É hora de o País decidir se quer manter seus rios como barreiras geográficas ou transformá-los em avenidas de desenvolvimento. A revogação do decreto pode ter sido um passo atrás para a segurança, mas a retomada dos estudos deve ser o salto à frente necessário para que a infraestrutura brasileira não fique ancorada no passado. O desenvolvimento do Brasil, afinal, não pode ser interrompido; ele precisa fluir com a força das nossas águas.

 

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