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Beto Umbuzeiro

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O cliente não compra movimentação. Compra solução

No final, o cliente não está interessado em quantos equipamentos foram mobilizados para movimentar sua carga. Ele quer que ela chegue ao lugar certo, no tempo combinado, com o menor risco possível e sem surpresas ao longo do caminho.

Durante muito tempo, eficiência logística foi associada a números como quantidade de equipamentos, capacidade operacional, volume movimentado ou velocidade de processamento. São indicadores importantes, mas não são necessariamente aquilo que o cliente está comprando.

Quem contrata uma operação logística não quer, no fim das contas, saber quantos equipamentos estão disponíveis no pátio. Quer saber quanto tempo sua carga vai levar para chegar ao destino, quanto vai custar e quão previsível será esse processo.

Essa mudança de perspectiva é fundamental para entender o que significa eficiência no setor. Afinal, o cliente não compra movimentação. Compra solução.

Atualmente, uma solução logística precisa responder a três expectativas básicas. Uma delas é a rapidez. Rapidez porque tempo é custo. Uma carga parada significa capital imobilizado, estoque ocupando espaço e, dependendo da operação, equipamentos e veículos deixando de produzir. Quanto mais tempo uma mercadoria permanece em uma etapa que não agrega valor, maior tende a ser o custo de toda a cadeia.

Mas velocidade, sozinha, não resolve. Uma operação pode ser rápida em determinado momento e, ainda assim, ser ruim para o cliente se ele não souber quando sua carga estará disponível. É por isso que a previsibilidade, o segundo aspecto, ganhou tanto peso nas decisões logísticas.

Para uma indústria, um importador ou exportador, saber que determinada carga será liberada dentro de uma janela conhecida permite planejar produção, estoque, transporte e entrega. Isso reduz a necessidade de trabalhar com margens excessivas para compensar incertezas.

Na prática, muitas vezes vale mais uma operação que entrega consistentemente dentro do prazo do que outra que apresenta picos de velocidade, mas não consegue garantir regularidade. Fica claro que há uma diferença importante entre ser rápido e ser confiável.

O terceiro elemento é a segurança. E, aqui, não se trata apenas da integridade física da carga. Também significa reduzir riscos de perdas, avarias, erros operacionais, interrupções e informações desencontradas ao longo do processo — quanto mais previsível e controlada é uma operação, menor tende a ser a necessidade de o cliente criar mecanismos adicionais para se proteger contra imprevistos.

Isso muda a maneira como empresas de logística precisam medir seu próprio desempenho, pois não basta perguntar quantas cargas foram movimentadas ou quantas operações foram realizadas. É necessário entender quanto tempo o cliente ganhou, quantas incertezas foram eliminadas e quais riscos foram reduzidos.

Uma operação com grande capacidade instalada pode ter desempenho inferior ao de outra mais enxuta se não conseguir transformar seus recursos em resultados percebidos pelo cliente.

Equipamentos são meios. Tecnologia é meio. Estrutura física é meio. Processos também são meios. O objetivo final é entregar uma operação mais eficiente para quem está do outro lado.

Essa lógica se torna ainda mais importante em cadeias logísticas cada vez mais integradas. Uma pequena ineficiência em uma etapa pode se transformar em atraso em outra. Um caminhão que espera mais do que o previsto altera sua programação. Uma carga que demora para ser liberada pode comprometer um embarque. Uma informação que chega tarde pode provocar decisões equivocadas.

O cliente percebe o resultado dessa cadeia, não cada uma de suas etapas isoladamente. Por isso, a discussão sobre produtividade logística precisa evoluir de uma lógica baseada, exclusivamente, em capacidade para uma apoiada em desempenho.

Ter mais capacidade é importante. Utilizá-la bem é fundamental.

No final, o cliente não está interessado em quantos equipamentos foram mobilizados para movimentar sua carga. Ele quer que ela chegue ao lugar certo, no tempo combinado, com o menor risco possível e sem surpresas ao longo do caminho.

É aí que a logística deixa de ser apenas uma atividade operacional e passa a ser uma ferramenta de competitividade. Porque, para quem depende dela, uma boa operação não é aquela que, simplesmente, movimenta mais, mas a que resolve melhor.

Beto Umbuzeiro escreve para o BE News quinzenalmente, com seus artigos publicados sempre às quintas-feiras. 

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