terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O desafio do financiamento climático

A voz do secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Simon Stiell, na abertura da COP30, nessa segunda-feira, dia 10, em Belém (PA), ecoou um diagnóstico urgente: apesar dos avanços na curva de emissões desde o Acordo de Paris, o mundo está perigosamente aquém da meta de 1,5º C. O alerta, amparado por relatórios da ONU, exige que o foco das negociações migre da retórica para a ação concreta, sobretudo no pilar do financiamento.

Stiell reforçou que a transição para a energia limpa é a “história de crescimento do século XXI”, capaz de gerar empregos e fortalecer a resiliência global. No entanto, o sucesso dessa transformação depende da implementação do “mapa de Baku para Belém”, que visa a acelerar a aplicação das energias renováveis e a duplicação da eficiência energética.

A urgência de defender o financiamento climático reside no imperativo de se viabilizar uma transição energética mais justa. Os valores acordados na COP 29, que preveem a triplicação do financiamento climático para países em desenvolvimento para US$ 300 bilhões anuais, até 2035, e a mobilização total de US$ 1,3 trilhão por ano são um ponto de partida. Entretanto, a delegação brasileira e os países em desenvolvimento consideraram o valor insuficiente como base da meta, sublinhando que a justiça climática exige um aporte que corresponda à magnitude da crise.A transição não pode ser um luxo para poucos. 

O secretário criticou duramente a inação, afirmando que vacilar enquanto desastres climáticos consomem o PIB mundial e espalham a fome não faz sentido, nem economicamente, nem politicamente. O financiamento robusto é o instrumento que irá acelerar a aplicação das renováveis e a duplicação da eficiência energética, permitindo que nações vulneráveis se protejam de desastres e aproveitem os benefícios do crescimento da energia limpa.

A adoção da agenda de ação brasileira na COP é vista como crucial para o avanço da transição. O incremento da cooperação internacional é o único caminho para compensar a insuficiência dos compromissos nacionais de redução de emissões (NDCs). O cenário de mega secas, aumento de conflitos e dizimação de vidas exige que as nações superem a passividade.O apelo de Stiell é que o mundo encare a transformação econômica da era com a rapidez que a ciência exige. A transição energética justa, impulsionada por um financiamento ambicioso, é a única forma de garantir que o limite de 1,5º C possa ser, de fato, o futuro do planeta. A COP30, em Belém, tem a responsabilidade de transformar essa visão em um ciclo de ação inadiável.

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