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Opinião

Editorial

Da Redação

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O desafio nordestino

Os debates sobre a infraestrutura de armazenagem no Nordeste do Brasil e as operações locais de granéis líquidos, durante a edição deste ano do Nordeste Export, realizado em Teresina (PI), no dia 31 de agosto e no dia 1 deste mês, revelaram um consenso fundamental: o Nordeste está no limiar de se tornar uma peça-chave nas novas matrizes logística e energética nacionais. A combinação de sol, vento, grãos e biocombustíveis confere aos estados nordestinos uma vantagem competitiva natural, mas essa oportunidade só se converterá em realidade com investimentos estratégicos e planejamento de longo prazo.

Participante do debate, Howzembergson de Brito Lima, do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne, instituição de pesquisa que atua no Norte e no Nordeste do País), salientou que a visão de estado, a responsabilidade ambiental e o planejamento social são essenciais para que os grandes empreendimentos deixem um legado positivo. A Margem Equatorial é apontada como um vetor capaz de atrair indústrias e gerar empregos, mas, para isso, a infraestrutura precisa ser integrada, conectando ferrovias, rodovias e portos ao agronegócio e à mineração.

Nesse cenário, é imperativo que os investimentos em infraestrutura, especialmente nos segmentos de transportes, logística e energia, na região, sejam priorizados. Essa é a chave para impulsionar o desenvolvimento econômico e explorar a capacidade e, ainda mais, o potencial dos estados nordestinos.

A urgência é ecoada por Manoel Ferreira, do Grupo Agemar, que, em sua participação no Nordeste Export, chamou a atenção para o déficit estrutural na armazenagem de grãos. Com a produção do Matopiba (os estados do Maranhão, de Tocantins, do Piauí e da Bahia) em crescimento exponencial, a falta de capacidade de estocagem nos portos e eixos de escoamento se torna um gargalo, subaproveitando o enorme potencial de complexos como Suape (PE).

Para que o Nordeste assuma esse protagonismo de forma eficaz, é crucial também que essas ações sejam realizadas com celeridade, transparência e valores sustentáveis. A resposta a esse cenário de expansão ainda passa por eficiência operacional e preparo técnico, como destacou Renato Freitas, da TransGlobal. O investimento em tecnologia e a formação contínua das equipes são fundamentais para que a operação portuária seja precisa e consiga acompanhar o crescimento da movimentação de cargas.

A união de esforços entre o setor público e a iniciativa privada, com planejamento claro e projetos robustos, é a única forma de garantir que o potencial do Nordeste não se perca em gargalos logísticos, na falta de infraestrutura e em um apagão energético, causado mais por um sistema de transmissão limitado. A região tem todos os elementos para se tornar um polo de desenvolvimento sustentável e competitivo, mas isso só será alcançado com ações coordenadas e investimentos estratégicos que garantam que a riqueza gerada se traduza em progresso real para suas comunidades.

 

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