terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O encontro Lula-Trump e o futuro das relações Brasil-EUA

O anúncio da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington (Estados Unidos), marcada para esta quinta-feira, dia 7, coloca o Brasil no epicentro da diplomacia pragmática em 2026. Ao destacar o peso estratégico de uma reunião com Donald Trump, o vice-presidente Geraldo Alckmin sublinha uma realidade que sobrepõe ideologias: os Estados Unidos não são apenas o terceiro maior parceiro comercial do País, mas figuram como o principal investidor direto em solo brasileiro. Defender o fortalecimento dessa interlocução é, antes de tudo, proteger uma fonte de investimentos estratégica e o destino das exportações nacionais de maior valor agregado, que encontram no mercado norte-americano um consumidor essencial para a sustentação da nossa indústria de bens manufaturados.

Para o presidente Lula, um dos principais objetivos desse encontro deve ser a desconstrução de uma narrativa de desequilíbrio comercial que frequentemente alimenta medidas protecionistas contra o Brasil. Alckmin foi cirúrgico ao pontuar que o País é uma rara exceção no cenário global, fazendo parte do seleto grupo de apenas três nações do G20, ao lado de Reino Unido e Austrália, com os quais os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial. Esse dado é a principal munição diplomática do governo brasileiro para desarmar a retórica do “tarifaço” e das barreiras alfandegárias, uma vez que o Brasil não contribui para o déficit comercial americano, não havendo justificativa econômica para retaliações que punam produtos industrializados brasileiros.

A agenda em Washington deve priorizar ainda a busca por previsibilidade regulatória e cooperação, combatendo a lógica de aumentos súbitos de tarifas que prejudicam o planejamento de longo prazo das empresas brasileiras. Como maior investidor no País, a manutenção de um clima político estável com os Estados Unidos é vital para a continuidade de aportes em infraestrutura, tecnologia e inovação. Diferente da relação com outros parceiros onde predominam as matérias-primas, a pauta com os norte-americanos é composta majoritariamente por produtos de alta tecnologia, o que é fundamental para a preservação de empregos qualificados e para a saúde da balança de serviços.

A expectativa de Alckmin por uma “boa química” entre os mandatários reflete a aposta brasileira no diálogo direto para mitigar tensões, em um cenário onde as cadeias globais de suprimento estão sendo redesenhadas. O Brasil se posiciona como um parceiro confiável e necessário para a segurança econômica dos Estados Unidos nas Américas, utilizando o superávit norte-americano como o grande facilitador desse entendimento mútuo. O sucesso desta viagem será medido pela capacidade de transformar a afinidade pessoal em garantias institucionais que protejam a economia brasileira em um mundo cada vez mais fragmentado, consolidando um ambiente de cooperação que beneficie o crescimento de ambas as nações.

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