terça-feira, 06 de outubro de 2026
Dolar Com.
Euro Com.
Libra Com.
Yuan Com.
Opinião

Editorial

O fim do uso dos combustíveis fósseis, uma pauta necessária

A evolução das negociações na 30ª Conferência do Clima (COP30), em Belém (PA), transcende a simples definição de metas de mitigação e coloca em xeque o núcleo da matriz energética global. O debate sobre o processo de transição rumo ao fim do uso dos  combustíveis fósseis, ainda que informalmente inserido na agenda, emerge como o tema central que confronta a urgência climática com a realidade da dependência econômica.

O cenário atual, marcado pelo endosso de nações como Reino Unido e Alemanha à proposta brasileira de construção de um roteiro, demonstra que a comunidade internacional está disposta a avançar. O apoio vocalizado por líderes da Comissão Europeia e pelo secretário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), Simon Stiell, reforça a percepção de que a COP30 é o momento de transformar a intenção política em submissões formais. A expectativa é que a conferência promova estratégias concretas para a redução do uso de combustíveis fósseis, uma pauta que não pode mais ser protelada.

A defesa da criação desse mapa de transição, fortemente liderada pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, é um imperativo ético e econômico. A permanência de subsídios “ineficientes” para a produção de energia fóssil, criticada pela ministra, distorce o mercado e inibe os investimentos maciços em energias renováveis. O Brasil, como um dos principais players na produção de bioenergia, tem a responsabilidade de liderar esse movimento.

Contudo, a credibilidade do roteiro brasileiro é colocada sob escrutínio pela ambivalência da política energética nacional. O fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo que defende o fim da dependência fóssil nos palanques da COP, apoiar a exploração de uma nova fronteira de petróleo na Margem Equatorial, expõe a complexa tensão entre o desenvolvimento de curto prazo e os compromissos climáticos de longo prazo.

Torna-se essencial que a COP30 defina estratégias que alinhem o discurso do “fim dos fósseis” com ações concretas para a transição. Isso passa por fechar um acordo que, no mínimo, fixe uma data para a elaboração desse mapa do caminho em COPs subsequentes, como defende a diplomacia brasileira. O mundo espera que as negociações políticas, agora conduzidas por ministros, superem o jogo de interesses e garantam que o abandono da dependência de combustíveis fósseis seja um caminho justo, factível e irreversível. O tempo da indecisão já se esgotou.

Compartilhe:
TAGS

Leia também