terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O free flow avança no Brasil

O início da operação do sistema free flow (livre passagem) em dois pórticos da BR-381/MG, sob a responsabilidade da concessionária Nova 381, representa um avanço ímpar na modernização da infraestrutura rodoviária brasileira. A adoção do pedágio eletrônico em 100% das atividades da rodovia mineira, como está previsto, sinaliza o futuro do transporte no País, abandonando as praças de pedágio tradicionais e introduzindo uma tecnologia que prioriza a fluidez.

A BR-381, uma via de escoamento crucial para a produção agrícola, pecuária, de mineração e industrial, é o cenário ideal para essa transformação. Com R$ 9,3 bilhões previstos em investimentos, a concessionária tem a missão de aprimorar a infraestrutura da rodovia, e a implantação do free flow é parte essencial dessa agenda. Em apenas seis meses de concessão, o sistema já começa a operar, demonstrando a agilidade necessária para o desenvolvimento do setor.

A implantação do free flow nas estradas é uma medida que defende a eficiência logística e a segurança viária. A ausência de cancelas e a cobrança por meio eletrônico, via câmeras e sensores, elimina a necessidade de paradas, agilizando o transporte rodoviário e reduzindo o tempo de viagem. Para o setor de cargas, que opera com margens apertadas e depende da pontualidade, a livre passagem se traduz em ganhos de produtividade e redução de custos operacionais.

A experiência positiva em outros estados, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, e a meta do governo paulista de expandir o sistema para 58 pontos até 2032, confirmam a tendência global de modernização. O sistema de pagamento flexível, com a instalação de totens em postos e a opção de pagamento via aplicativo ou Pix, também demonstra a preocupação em garantir a acessibilidade e evitar a evasão.

Embora a tecnologia traga inúmeros benefícios, o risco de evasão e as multas associadas ao sistema são objeto de debate. A decisão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) de assumir 90% dos riscos de evasão na modalidade demonstra um apoio governamental crucial para a viabilidade do modelo de concessão. Essa divisão de custos oferece maior segurança jurídica às concessionárias, incentivando novos investimentos.

O free flow não é apenas uma mudança no método de cobrança, mas uma evolução na gestão de rodovias. A tecnologia permite uma coleta de dados mais precisa, que pode ser usada para aprimorar a gestão do tráfego e a manutenção da infraestrutura. É fundamental que o Governo Federal continue a apoiar a implantação dessa modalidade em outras rodovias, garantindo que o transporte rodoviário brasileiro se torne mais ágil, eficiente e competitivo.

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