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Hudson Carvalho

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O futuro do mundo do trabalho é positivo ou não?

“Se queres prever o futuro, estuda o passado.”

Confúcio

 

Navegar, em rota conhecida, é simples.

Podemos enfrentar mudanças na meteorologia, talvez alteração na altitude. Mas, nossa capacidade, e as ferramentas que possuímos são maiores que as dificuldades em si. Afinal, o rumo conhecido é determinante para fazer-nos chegar sãos e salvos a nossos destinos.

A situação muda de figura quando a geografia ao nosso redor é estranha e os instrumentos são insuficientes para indicar as alterações necessárias, para continuarmos em segurança até o final da viagem.

É essa a sensação que tenho, quando analiso o que ocorre no mundo e nas relações de trabalho que se apresentam no momento atual.

Se a dificuldade fosse viver em uma época em que cenários, bem conhecidos de todos nós, apresentassem mudanças constantes, rápidas e sucessivas, já seria desafiador.

Não é só o que acontece. Além da necessidade de reinterpretar o que já sabemos, somos colocados frente à frente, todos os dias, com fatos novos e inesperados que exigem nossa análise imediata e capacidade de reação para estancar as consequências que se colocam à nossa frente.

Ainda bem! Poucas épocas na história trouxeram tantas oportunidades de aprender e crescer.

Vamos tentar descrever esse momento? “Tentar”, pois enquanto você lê este texto é bem provável que um novo desafio esteja nascendo bem aí ao seu lado.

Começo com o que parece mais ameaçador, tratado como o tomador de empregos, extinguidor de profissões: a Inteligência Artificial. Mito.

Profissionais não perderão seus empregos para a I.A. Perderão seus empregos para outros profissionais que aprenderem a utilizar a Inteligência Artificial em seu dia a dia. Na verdade, perderão seus empregos para si próprios, se deixarem de atualizar-se frente a uma tecnologia que está colocada como ferramenta de trabalho. É irreversível. Não dá para evitar a evolução da tecnologia.

Ao mesmo tempo em que me recuso a ver a I.A. como uma “revolução” (vejo como evolução), seria ingenuidade negar que os perfis de muitas ocupações irão mudar. Daí a necessidade de constante requalificação profissional. Sem novidades, não? Desde a invenção da calculadora eletrônica e do computador isso ocorre.

Se descermos um nível nessa análise, acho curioso ouvir analistas do tema afirmarem que uma das necessidades será a de “fluência em português”. Sim. Sem ele não será possível fazer as perguntas de forma correta e consequentemente receber as melhores respostas. A falta do hábito da leitura vai cobrar seu preço. Fazer as perguntas certas fará toda a diferença.

Dito isso passo para um segundo tema, que não é novo, mas continua na pauta de discussões: Trabalho remoto ou presencial? Não vou assumir a defesa nem de um, nem de outro, porque tenho certeza de que migraremos para um modelo híbrido, cada organização ajustando seu formato com suas equipes. Meu incômodo vem da continuidade da discussão em si. O tema deveria estar superado.

Por que não está? Porque insistimos em cobrar o cumprimento da carga horária ao invés das entregas que cada cargo deve fazer. Reconheço que dá trabalho: estruturar processos, definir metas e seus KPI`s, mas é algo que não podemos deixar de fazer, sob pena de perdermos talentos. Não dá para simplesmente fingir que nada está acontecendo.

Outro tema que já afeta e impactará o mundo do trabalho daqui para frente: a Economia GIG. Surpreso? Não é um fenômeno novo. Na verdade, sempre existiu em menor escala, mas ganhou corpo com a pandemia e, mais importante, não dá sinais de que vá diminuir seu ritmo de crescimento.

Do que se trata? Da contratação de profissionais independentes para atividades temporárias. Motoristas de aplicativos são um bom exemplo, embora estejam longe de serem os únicos.

Os “gig’s” não só estão conectados a trabalhos temporários, como podem executar diferentes tipos de atividades, conforme as oportunidades se apresentam, intermediadas por plataformas digitais. São, de certa forma, multifuncionais.

O termo vem de uma gíria, usada para nomear o trabalho dos músicos em apresentações pontuais. Meu avô diria, “pessoal que vive de bicos”.

Seus números são impressionantes. Estima-se que tenham movimentado mundialmente algo em torno de 557 bilhões de dólares em 2024.

As causas desse crescimento? Facilidade de acesso à Internet, avanço dos smartphones, mas principalmente fatores comportamentais, como o desejo por mais liberdade de horários e qualidade de vida.

É preciso dizer também que até pouco tempo era uma forma “não convencional”, para dizer o mínimo, de estruturar a carreira. Por isso, as empresas precisam prestar enorme atenção a esse tipo de relação de trabalho. Não apenas por serem tomadoras de serviço desses profissionais, passíveis de serem acionadas para que seja reconhecido um futuro vínculo trabalhista, mas também porque, ao mesmo tempo, estão inaugurando um mundo completamente novo na organização interna do trabalho.

O clima organizacional, que vem da convivência entre colegas de trabalho e seus Líderes, como ficará? As relações de subordinação, a hierarquia, numa relação contratual tão tênue, onde o prestador do serviço pode desligar-se a qualquer momento e por qualquer razão, como ficarão estabelecidas?

Um último impacto, mais imediato, ainda em 2025: as alterações na NR-01, com a inclusão da avaliação dos Riscos Psicossociais.

Além de ser um “cumpra-se”, forçará as Organizações a repensarem como tratam questões como burnout, ansiedade, stress e assédios. O papel das lideranças será fundamental e mandatório conscientizá-los a respeito. Talvez o termo a ser empregado aqui seja sensibilizar, para que sintam de verdade os efeitos que a falta de gestão adequada do tema trará.

Uma palavra positiva para concluir: se as relações de trabalho formal, leia-se emprego, nunca estiveram tão ameaçadas no formato em que as conhecemos, nunca houve tantas oportunidades de trabalho aparecendo. Será fundamental separar os dois conceitos: Emprego e Trabalho. O primeiro diminuirá radicalmente, o segundo jamais deixará de existir.

 

Hudson Carvalho é Consultor em Estratégia de Gestão de Pessoas, Diretor Regional da WISDOM – Gestão Organizacional (Desenvolvemos Pessoas e Processos) para o ABCD e Baixada Santista e Diretor Executivo da ELABORE-ONLINE – Pessoas e Resultados.

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