O impacto da guerra no Irã para o setor de transporte brasileiro
Entendemos que o momento atual traz a necessidade de otimizar as operações, investir em tecnologia e novas matrizes energéticas. Proteger o fluxo de cargas brasileiro das ameaças externas é um compromisso que assumimos para garantir que a economia do nosso país permaneça em movimento, independentemente da complexidade do xadrez mundial.
O cenário geopolítico global se tornou um fator de atenção no cotidiano dos brasileiros. A área de transporte e logística, em especial, vê como determinante o fim das tensões no Oriente Médio e da instabilidade em rotas estratégicas, como o Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz. A verdade é que o mercado globalizado não permite mais o isolamento e hoje percebemos como algo, que ocorre a milhares de quilômetros de nossas fronteiras, reflete de forma imediata na composição de custos e na previsibilidade das operações, onde quer que estejamos.
Em Santos (SP), principal porta de entrada e saída dos produtos que chegam e saem do Brasil, sentimos o impacto junto com o setor produtivo. É o fertilizante que chega mais caro para o campo, as peças das fábricas que atrasam e, claro, a falta de combustível que preocupa todos nós.
Desde o início dos ataques americanos ao Irã, em 28 de fevereiro, o diesel subiu quase 24% nos postos brasileiros. Em 14 de março, a Petrobrás elevou o preço do diesel para as distribuidoras em R$ 0,38 por litro. Nas bombas o valor médio nacional saltou de cerca de R$ 6,18 para patamares entre R$ 7,34 e R$ 7,47.
Há poucos dias (30/3), o Governo de São Paulo aderiu a um programa para reduzir o impacto dos preços e vai dividir com a União o custo de um subsídio de R$ 1,20 por litro para o diesel importado. A medida tem previsão inicial de dois meses e deve terminar em maio.
Caminhoneiros autônomos e empresas transportadoras acompanham com preocupação. Na Transbrasa, por exemplo, temos uma frota de 30 veículos próprios e o suporte fundamental de 190 caminhões terceirizados. Para uma operação de nossa escala, o combustível não é simplesmente um insumo, mas uma variável crítica que exige gestão financeira extremamente rigorosa para garantir a continuidade e a sustentabilidade dos negócios.
A manutenção da nossa rede de mais de 220 motoristas requer transparência e equilíbrio. Entendemos que o momento atual traz a necessidade de otimizar as operações, investir em tecnologia e novas matrizes energéticas. Proteger o fluxo de cargas brasileiro das ameaças externas é um compromisso que assumimos para garantir que a economia do nosso país permaneça em movimento, independentemente da complexidade do xadrez mundial.
Além disso, a incerteza na cadeia de suprimentos nos demanda uma capacidade de resposta extremamente ágil em nossos terminais de retroárea, onde a gestão de pátio e a eficiência na liberação dos produtos para os clientes são diferenciais estratégicos para minimizar os prejuízos causados pelos atrasos internacionais.
Bayard Umbuzeiro Neto escreve para o BE News quinzenalmente, com seus artigos publicados sempre às quintas-feiras.